quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Quantas imagens fazem pinheirinho?
























Pinheirinho entra no dicionário brasileiro com mais um significado. Entra pra história do Brasil como uma data a ser lembrada nas escolas e nos livros. Entra para os anais de ciência política como mais um exemplo de como as manifestações de poder não encontram limites no Estado. Como fora no Estado Antigo, Medievo, Moderno e Contemporâneo, seja lá o que for. Pinheirinho reforça a impressão da farsa democrática. Da farsa manifesta na tripartição dos poderes. Da farsa de que algum poder possa, de fato, emanar do povo, de acordo com o que promete o preâmbulo da Constituição de 1988. Que razões levaram o estadista Alckmin a não adotar medidas que impedissem que 6.000 (seis mil) pessoas (homens, mulheres, grávidas, bebês, crianças, adolescentes, idosos, doentes e sadios) ficassem de um minuto ao outro desabrigados, sem água, comida, medicamentos e lugar para se proteger. Quais as razões? Certamente, estadista que é, como lembra muito bem a revista Veja, efetuou todos os cálculos, racionalizando os prejuízos, os dividendos e o saldo político do confronto/tragédia anunciada. Quais as razões então, se os prejuízos (políticos) em ano de eleições são de proporções aboslutamente indesejadas para qualquer político mediano ? (quiçá para um estadista). É dificil advinhar, mas não muito. Nas eleições de 2010 o Sr. Geraldo José Rodrigues ALCKMIN Filho declarou um patrimônio de R$ 960.960,7 e arrecadou para a sua campanha financiamento da ordem de 15 milhões de reais, mas especificadamente R$ 15.028.394,8. Isto, segundo dados divulgados pelo pŕoprio candidato ao TSE. Segundo dados da ONG Transparência Brasil (disponível em http://www.asclaras.org.br/candidato.php?CACodigo=75514) o candidato Alckmin recebeu doações diretas na ordem de R$ 34.221.236,96. É impossível saber quem fez as doações. Os dados são camuflados através de um artifício simples, mas permitido pela legislação. Os doadores repassam o dinheiro aos comitês financeiros, que depois repassam a doação ao candidato. Mas é possível saber quem contribuiu ao comitê financeiro via TSE no link http://spce2010.tse.jus.br/spceweb.consulta.prestacaoconta2010/comiteServlet.do. Resta saber se nestas eleições as empresas com participações da Holding Selecta e do Sr. Naji Nahas repatriarão doações para os comitês do PSDB e partidos coligados. Fiquemos de olho e as razões do estadista aparecerão. 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Milagre em Milão e a desocupação dos Sem-Teto


Autor: 

 
Por raquel_
 
“Milagre em Milão”: fábula de Vittorio De Sica sobre desocupação de sem-teto segue atual

por ALCEU LUÍS CASTILHO (@alceucastilho)

Em tempos de iminente desocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), um filme do italiano Vittorio de Sica ajuda a pensar – 60 anos depois - em alguns aspectos de uma reintegração de posse. E da oposição entre a classe trabalhadora (os sem-teto) e a burguesia. Quem vence essa disputa?
> Economicamente não há final feliz: no final de “Milagre em Milão” (1951) o terreno é revertido para o proprietário. Mas os comunistas De Sica e Zavattini (o roteirista principal) não viam o mundo apenas com lentes econômicas. O que eles sugerem ali, além de uma utopia, é uma caracterização da burguesia a partir do ridículo.

- Quem são eles? – pergunta  o novo dono do terreno, senhor Mobbi.
- Pobres – responde o antigo dono.
- O que fazem?

O filme quase se chamou “Os pobres atrapalham”. Mas foi vetado - os italianos estavam preocupados com a imagem do país no exterior. O filme é baseado no livro “Totó, o Bom”, do próprio Cesare Zavattini.

A desumanidade do dono do terreno, o senhor Mobbi, está diretamente associada a sequências patéticas. Do outro lado, em clima surreal, Totó e sua turma desconstroem as ações policiais com humor e dignidade – os jatos d’água, as bombas de fumaça, as ordens. Nada ali pode afetar a dignidade dos sem-teto.


Não se trata apenas de uma resistência por meio de porretes e barricadas – que, em determinado momento, também acontecem. Vittorio de Sica busca na poesia – e na união dos trabalhadores – a possibilidade de superação daquela violência.

Em meio à fleuma dos sem-teto, são os patrões e seus mandantes que se sentem acuados. “Essa gente não merece piedade”, diz Mobbi, titubeante. “Todos sentimos frio, somos todos iguais”, afirma, em outro momento, obviamente sem convencer. “Todos temos cinco dedos nas mãos”.

Quem quiser pensar no cinema de Vittorio de Sica deve abandonar os estereótipos sobre realismo. Ou melhor, abandonar mesmo a idéia de que seus filmes sejam propriamente realistas. Sim, “Ladrões de Bicicleta” (1948) é um dos clássicos do movimento que se chamou neorealismo – e mudou o cinema e o mundo, no pós-guerra.

Ao lado do roteirista Cesare Zavattini, De Sica criou obras de profundo romantismo. Ainda que com atores amadores e locações na própria cidade, características do neorealismo. O homem que estava por trás desses atores e cenários era um homem romântico.

Em uma das cenas de “Milagre em Milão” os sem-teto, com frio, buscam um lugar ao sol no terreno ocupado, ao lado de uma ferrovia. Mas literalmente um lugar ao sol. Logo me veio a lembrança de um vídeo gravado em apoio à Ocupação Pinheirinho, onde um militante lê uma poesia de cordel:

Esse cordel remete a Glauber Rocha, à disputa de classes nos sertões. A “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. Em meio à possibilidade de massacre, trata-se também de uma estética que está sendo proposta por De Sica (e por Glauber) – ou contraproposta à dominação linear, cinzenta. O céu se destaca ao fundo.

É para o céu que Totó e os demais sem-teto rumam no fim do filme – na sequência que inspirou Steven Spielberg a fazer a famosa cena de “E.T.”

Trata-se, assumidamente, de uma proposta de fuga, de um contraponto que não seja apenas um confronto físico, contra os tanques e escavadeiras. Mas um confronto de visões de mundo. Vale assinalar que o filme, na época, não agradou nem os comunistas durões nem os conservadores.

Nas nuvens, sobrevoando Milão, os sem-teto estão felizes. Sabem que venceram a batalha pela dignidade. O letreiro do fim do filme repropõe a esperança:

- Em direção a um sonho onde “bom dia” queira dizer verdadeiramente “bom dia”.

http://alceucastilho.blogspot.com/2012/01/milagre-em-milao-fabula-de-vit...


Fonte: Blog do Nassif

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012



Sósia de Aécio Neves protagoniza nova minissérie da Globo

Por Eduardo Guimarães - Extraído de Aldeia Gaulesa

Paulo Ventura (Domingos Montagner) é o presidente da Câmara dos Deputados na nova minissérie da Globo, Brado Retumbante. Quando um acidente aéreo mata o Presidente da República e o vice, o personagem – da faixa etária de Aécio Neves, incrivelmente parecido com ele e mulherengo como o próprio, ainda que idealista e honesto como o Superman – assume a Presidência e passa a combater sem tréguas a corrupção que o antecessor deixou (!).
Acima de tudo, a produção deixa ver um fato até então insuspeito. Apesar de que a imprensa paulista passou a hostilizar o senador tucano por Minas Gerais, coincidentemente após o lançamento do livro Privataria Tucana, a mídia carioca – ou seja, a Globo – deixa ver que pode ter decidido pular fora do barco de José Serra, que, a esta altura, deve estar mordendo os cotovelos de raiva e inveja…

Quanto à estratégia da Globo, é apenas um começo de trabalho visando 2014. Mas ao levar ao ar material publicitário de tal porte em benefício de um político, a emissora da família Marinho escancara que a sua aposta no neto de Tancredo Neves não é pequena nem fortuita. O descaramento de colocar quase um clone dele como político incorruptível, um verdadeiro herói, só se justifica diante de grande esperança em que decole.

Não é a primeira vez que a Globo faz algo assim. Já fez uma novela inteiramente com finalidade política, só que como propaganda negativa. O Salvador da Pátria foi ao ar entre 8 de janeiro e 14 de agosto de 1989, ano da primeira eleição presidencial depois de vinte e um anos de ditadura e quatro de transição para a volta efetiva da democracia. Daquela vez, o protagonista pretendia parodiar o então candidato Lula.

A trama gira em torno de Sassá Mutema (Lima Duarte), um bóia-fria ignorante e ingênuo que se deixa cooptar por…  Sindicalistas! Sassá acaba convencido a se candidatar a prefeito e acaba se elegendo. A novela mostra a transformação de um analfabeto em político poderoso, mas ainda um títere usado ao sabor das conveniências. A má notícia é que Lula acabou não sendo eleito, naquele ano, ainda que não se possa culpar (só) a novela por isso.

OU, VC PODE CONTINUAR A ACREDITAR EM GRANDES CONCIDÊNCIAS.....