Privatização condena Brasil a ser empregado dos países ricos, diz Bresser... - Veja mais em https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2017/09/02/bresser-pereira-privatizacao-temer-rombo-crise.htm?cmpid=copiaecola LInk
Por Emir Sader No
período histórico atual, o capitalismo assume o modelo neoliberal como
sua forma predominante. Passou da hegemonia de um modelo regulador,
keynesiano, a um modelo liberal de mercado. Concomitantemente à passagem
de um mundo bipolar a um mundo unipolar e de um ciclo longo expansivo
do capitalismo a um ciclo longo recessivo.
A
linha divisória que organiza os campos políticos de enfrentamento se dá
em torno dessa definição, entre o campo neoliberal e o campo
posneoliberal. A luta anticapitalista assume a forma da luta
antineoliberal, o neoliberalismo sendo a forma extremada de
mercantilização que busca o capitalismo.
A
América Latina, que foi a região do mundo com mais e mais radicais
governos neoliberais, como reação a essa situação tornou-se o único
continente com governos posneoliberais. Estes foram se estendendo na
América do Sul, com modalidades mais radicais – como as da Venezuela, da
Bolivia, do Equador – ou mais moderadas, como as do Brasil, da
Argentina, do Uruguai.
Mas
fazem parte do mesmo campo posneoliberal, fazem parte da construção de
alternativas ao neoliberalismo. Tanto é assim, que participam juntos do
Banco do Sul, do Mercosul, do Conselho Sulamericano de Defesa, entre
outras instâncias.
Há
dois pólos que articulam o campo político de enfrentamento: o pólo
neoliberalismo e o pólo posneoliberal. Os seis governos mencionados –
Venezuela, Brasil Argentina, Uruguai, Bolívia, Equador – constituem o
pólo pósneoliberal. Os do México, do Chile, da Costa Rica, do Panamá,
entre outros, são os eixos do pólo neoliberal. Governos como os do Peru,
da Colômbia, tentam se situar no meio do caminho entre os dois.
Os
governos que constituem a ALBA não são um terceiro eixo, mas fazem
parte do polo posneoliberal, como sua vertente mais radical. A unidade
de todos esses governos, no marco das suas diferenças, que são menores
em relação às diferenças contra o pólo neoliberal, é fundamental na luta
pela superação do neoliberalismo.