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terça-feira, 7 de novembro de 2017

Cem anos da Revolução de Outubro

Por Domingos Miranda

A utopia é o motor que faz avançar a humanidade. E a busca por justiça e igualdade é a ideia que mais entusiasma os oprimidos. No dia 7 de novembro de 1917 (26 de outubro no calendário russo daquela época), a revolução dirigida pelo Partido Bolchevique (Comunista) da Rússia colocou os operários e camponeses pobres no poder. Pela primeira vez na história, os trabalhadores eram os protagonistas da história. Sob a liderança de Lênin, o regime comunista, enfrentando todas as dificuldades imagináveis, venceu os inimigos interno e externos, ficando no poder por mais de 70 anos. Foi uma experiência que provocou enormes transformações em todo o mundo.


Em fevereiro de 1917 ocorreu a primeira revolução, a que derrubou o czar, tendo sido implantado um governo provisório burguês. No entanto, como o governo não atendeu as duas principais reivindicações do povo – paz e terra para os camponeses, aconteceu a tomada do poder pelos sovietes, órgãos que representavam os operários, soldados e camponeses. A Revolução de Outubro, imediatamente tomou medidas radicais. As terras dos latifundiários foram entregues aos trabalhadores pobres do campo e assinado um acordo de paz com os alemães, pondo fim a uma guerra que durava desde 1914 e que causara milhões de mortos.

Mas os inimigos internos e externos não permitiram que a paz fosse duradoura. A elite russa uniu suas forças em torno do Exército Branco para derrotar o governo soviético. Ao mesmo tempo, tropas de 14 nações poderosas invadiram a Rússia. A guerra civil durou três anos, mas, aquilo que parecia impossível aconteceu: o Exército Vermelho, formado em sua maioria por voluntários, venceu. A partir daí era necessário fazer avançar a sociedade de novo tipo, sem exploradores.

Em 1924, morreu Lênin, o maior dirigente da revolução, e foi substituído por Stalin. Mesmo com os erros cometidos, pois era uma experiência totalmente inédita na face da terra, aqueles líderes estabeleceram políticas que conseguiram avanços impressionantes em quase todas as áreas. Em 40 anos, um dos países mais atrasados da Europa, se transformou na segunda potência do mundo. O avanço mais impressionante foi na industrialização. Graças à sua enorme capacidade de produção, foi possível criar condições materiais para enfrentar o invasor nazista, na Segunda Guerra Mundial. Os produtos bélicos saíam diretos das fábricas para os campos de batalha, permitindo derrotar o exército mais poderoso do mundo naquele instante. A educação e a ciência também deram avanços excepcionais, conseguindo abolir o analfabetismo e criar o maior estoque de cientistas do planeta. A União Soviética foi o primeiro país a colocar um cosmonauta em órbita.

Mas, tudo na vida está sujeito a acertos e erros. Se os erros não forem corrigidos podem implodir uma experiência vitoriosa. E foi isso o que aconteceu com o caminho socialista na União Soviética. Entre os equívocos, podemos ressaltar a burocratização do Partido Comunista, o que criou dificuldades para as críticas fraternas e a renovação de ideias. No final da década de 80 e início da década de 90 o capitalismo voltou a imperar na terra de Lênin e nos países do Leste Europeu. A partir daí a China foi quem levantou com sucesso a bandeira do socialismo.

A luta pelo socialismo se mostra mais atual do que nunca diante da política expansionista e belicista do imperialismo. A lista das agressões contra países mais fracos é longa nos últimos 25 anos: Iugoslávia, Somália, Afeganistão, Iraque, Líbia, Ucrânia, Síria. A única maneira de conter esta política terrorista dos Estados Unidos é juntar forças em prol do socialismo. Sabemos que esta é uma tendência natural da história mas, para que tal aconteça vai depender das massas, sob a orientação dos partidos que representam a classe operária e os setores oprimidos da sociedade. A Rússia, em 1917, nos ensinou que isto é possível. Portanto, vamos continuar levantando a bandeira da revolução.

domingo, 3 de novembro de 2013

Ano de 2012 teve 873 greves, o maior número desde 1996, diz Dieese Resultado confirma a tendência de aumento verificada a partir de 2008. 41% das greves analisadas tinham a exigência de reajuste salarial.

Foram realizadas 873 greves no país em 2012, sobre 554 no ano anterior, aponta levantamento divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O total de greves no ano passado é o maior verificado desde 1996, diz a divulgação, quando foram 1.228 greves.
Foram 86,9 mil horas paradas em 2012, sendo que 75% do total são na esfera pública, diz o estudo
"O resultado confirma a tendência de aumento do número de greves verificada a partir de 2008", cita o estudo. Ao todo, foram 461 greves realizadas pelos trabalhadores da esfera privada e 409 na pública.
Foram contabilizadas 86,9 mil horas paradas em 2012, sendo que 75% do total são na esfera pública, diz o estudo. Nesse caso, é o maior número de horas paradas desde 1990 (quando foram 117 mil).
O aumento nas horas paradas vem sendo percebido “mais claramente” desde 2009, cita o documento.
Reivindicações
De acordo com o Dieese, 41% das greves analisadas tinham a exigência de reajuste salarial. “Em menor proporção, aparecem reivindicações de introdução, manutenção ou melhoria de auxílio-alimentação (27%); cumprimento, implantação e/ou reformulação de plano de cargos e salários (23%) e paralisações por questões relativas à participação nos lucros ou resultados (19%)”, diz o estudo, que cita, ainda, a frequência de queixas contra o atraso no pagamento dos salários (18%).
Setores
Entre as greves verificadas exclusivamente na esfera privada, a maioria atingiu o setor industrial (330). Na esfera pública, entre as empresas estatais, metade das greves foi deflagrada no setor de serviços (14). Entre o funcionalismo público, a maioria das greves foi deflagrada por servidores municipais (227).

quarta-feira, 11 de abril de 2012

O fim da greve que começou no banheiro

Extraído: Jornal ANotícia - 11 de abril de 2012. | N° 1459

GREVE NA TUPY

O fim da greve que começou no banheiro

Paralisação na Tupy acaba após reunião que decidiu por um aumento de 8% nos salários dos mais de 7 mil trabalhadores

A paralisação de 36 horas da Tupy, que terminou ontem e resultou em um aumento de 8% nos salários, começou com bilhetes trocados nos banheiros e vestiários da empresa. As primeiras conversas sobre uma possível greve começaram em janeiro.

Reclamações sobre problemas no ambiente de trabalho foram levadas inicialmente à Comissão Interna sobre Prevenção de Acidentes (Cipa). “Falávamos das nossas insatisfações nas reuniões da Cipa e nunca fomos ouvidos. Alguma vezes falavam em nos dar advertências caso continuássemos a reclamar”, revela um dos trabalhadores que liderou o processo de mobilização interna. Vendo que as reclamações não surtiam efeito, os trabalhadores começaram a trocar ideias por meio de bilhetes que eram colocados nos banheiros e vestiários.

“Deixávamos uma lista perguntando quem era a favor de fazer uma greve para reivindicar melhoria dos salários e do ambiente de trabalho. O pessoal escrevia na lista o nome e o turno em que trabalhava. Quando contamos um número forte o suficiente para fazer o movimento, começamos a organização”, diz o operário.

Os funcionários afirmam que os banheiros estampavam murais para a comunicação. O ritmo de trabalho nas máquinas era intensificado para que não houvesse oportunidade de conversa durante o expediente. Depois das listas de adeptos da greve, começaram os bilhetes para acertar o dia em que o movimento começaria.

A apresentação dos resultados da empresa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), na segunda da semana passada, foi o detonador do movimento. O faturamento de R$ 2,19 bilhões em 2011 (16,8% a mais do que no ano anterior) e os lucros de R$ 203,4 milhões (31,7% maiores) foram a senha. “Isto foi fundamental para o início da greve”, diz o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Genivaldo Ferreira.

Os funcionários do terceiro turno, que entraram às 5 horas de domingo, saíram de seus postos de trabalho por volta das 3h30 de segunda-feira, cientes de que os colegas do turno seguinte, que começaria às 5 horas, já estariam preparados para a mobilização. Começava ali a greve que surpreendeu a Tupy.