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quarta-feira, 26 de junho de 2019

Caso Moro x Caso Snowden: coberturas de Greenwald são parecidas, mas não iguais

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Glenn Greenwald, que vazou mensagens atribuídas ao ministro Sergio Moro, foi coautor de reportagem ao lado de Edward Snowden sobre a CIA
  • Separamos semelhanças e diferenças entre o modus operandi do jornalista nos dois caos
Por Rafa Santos (@vitoriodesica)
Na guerra entre informação e desinformação que tem assolado o Brasil nos últimos anos, o jornalista norte-americano Glenn Greenwald rompeu uma importante barreira. Deixou de ser apenas um profissional que publica informações para ser ele próprio objeto de curiosidade do público. Consequentemente se tornou alvo de fake news, notícias enviesadas e todo o chorume narrativo que inunda os grupos de WhatsApp.

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O profissional se tornou conhecido mundialmente com uma série de reportagens sobre programas secretos de vigilância global dos Estados Unidos. Em parceria com alguns jornalistas, o analista de sistemas Edward Snowden e a documentarista Laura Poitras, Greenwald mostrou ao mundo que a Agência Nacional de Segurança (NSA) violava repetidamente a privacidade de milhões nos Estados Unidos e no mundo. Pessoas comuns, executivos e líderes globais –aliados ou não— tiveram dados coletados, e-mails invadidos e telefonemas gravados.
As revelações provocaram um debate global sobre os abusos praticados pelas agências de inteligência dos Estados Unidos e renderam ao jornalista o prêmio Pulitzer. O documentário sobre o seu trabalho ganhou o Oscar em 2015. Greenwald também foi o primeiro jornalista estrangeiro a receber o prêmio Esso por suas revelações sobre a vigilância norte-americana no Brasil publicadas no jornal 'O Globo'.
Ele também cobriu ativamente o processo que levou ao impeachment de Dilma Roussef e a prisão do ex-presidente Lula. Sua notoriedade no Brasil, no entanto, ganhou proporções inéditas recentemente graças as revelações do site 'The Intercept' sobre a promiscuidade das relações entre membros do Ministério Público e o ex-juiz Sérgio Moro.

Semelhanças

Tanto no caso Snowden como no escândalo recente sobre a Lava Jato, o trabalho de Greewald teve desdobramentos parecidos: autoridades desnorteadas oferecendo diferentes versões dos fatos e se debatendo diante de cada nova revelação.
Outro ponto em comum é a busca de um argumento forte o suficiente para tentar justificar abuso de poder e violações éticas. Nos Estados Unidos a justificativa era o combate ao terrorismo. No Brasil a aposta é no combate a corrupção.
Nos dois casos se nota também a tentativa de desqualificar a fonte de informação. A discussão sobre o modo como as informações foram obtidas foi promovida por agentes públicos e repercutida por parte da imprensa norte-americana que preferiu focar na forma e deixar de lado o conteúdo dos escândalos. Snowden foi acusado de espionagem, roubo e conversão de propriedade do governo. Ele teve seu passaporte anulado e atualmente vive exilado na Rússia.
As autoridades públicas brasileiras, por sua vez, argumentam que foram alvos de um ataque hacker e que o material publicado pelos jornalistas do 'The Intercept' pode ter sido adulterado.
A cada nova revelação, no entanto, os atores principais do vazamento da Lava Jato como Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e os procuradores da força tarefa apresentam versões distintas. Em um momento as informações foram tiradas de contexto, em outro não tem nada de mais e mais recentemente simplesmente não são reconhecidas por eles como verdadeiras.
Os jornalistas do 'Intercept' em nenhum momento afirmaram que o material vazado foi obtido por meio de um ataque hacker. Eles não falam sobre sua fonte de informação com base no direito assegurado pela Constituição aos jornalistas de sigilo.
A tática de Grennwald para minar especulações sobre a veracidade de seu trabalho é incluir mais jornalistas e veículos de comunicação nas revelações. No caso Snowden, as revelações foram públicas em diversos jornais como 'Guardian', 'O Globo', 'The New York Times', 'The Washington Post' e o alemão 'Der Spiegel'.
Muitos jornalistas foram envolvidos na apuração das reportagens de modo que qualquer tentativa de deslegitimar as informações passaria necessariamente pela frivolidade de se imaginar uma conspiração de repórteres de diferentes partes do mundo.
No Brasil quem trabalha no caso é a equipe do 'The Intercept' liderada pelo editor executivo Leandro Demori, o analista político Reinaldo Azevedo e o time de repórteres da 'Folha de S.Paulo'. A primeira reportagem em parceria com o periódico paulista foi publicada neste domingo (23).
Até o momento a cadeia de colaboradores do escândalo da Lava Jato ainda é bem menor do que a recrutada no Caso Snowden. Porém, já são muitos profissionais envolvidos para se acreditar na versão simplória de que o conteúdo não é legitimo.
Diferenças
Se no escândalo da Lava Jato a fonte de informação é mantida sobre sigilo, na série de reportagens que rendeu fama mundial a Glenn Greenwald o delator tem nome e sobrenome. Edward Snowden é whistleblower - o termo é utilizado para designar pessoas que trabalham na esfera pública ou privada que ao se deparar com crimes voluntariamente reportam os atos ilícitos.
Esse tipo de delator não cometeu nenhum crime e não busca nenhuma vantagem pessoal ao compartilhar delitos. De certo modo é o oposto do indivíduo que opta pela delação premiada. O termo popularizado pelas ações da Lava Jato nos últimos anos se refere a um acordo em que o delator fornece informações ao MP em troca da diminuição da punição por seus próprios crimes.
No caso da “VazaJato” não é possível saber qual tipo de denunciante forneceu informações ao 'The Intercept'. Quais são suas motivações? Seus interesses? Por outro lado, apesar de argumentar ter sido alvo de um ataque hacker, o procurador Deltan Dallagnol ainda não entregou seu celular para perícia.
Ética jornalística x vazamentos
O pensamento binário é uma praga que afetou boa parcela da população brasileira nos últimos anos. O maniqueísmo raso que divide o mundo entre bandidos e mocinhos não poupou parte de nossa imprensa. Essa é a única explicação que me ocorre ao tentar entender alguns questionamentos éticos sobre o escândalo da Lava Jato –fenômeno parecido aconteceu no caso Snowden.
A discussão da forma de obtenção das informações e não de seu conteúdo é inócua diante da gravidade do que foi revelado até aqui. A confusão é tão grande que teve profissional questionando se o timing do trabalho de outros jornalistas poderia atrapalhar as reformas propostas pelo governo.
Jornalista não deve agir como sócio de governo de qualquer coloração partidária. Ainda que concorde com suas ideias. De caráter iluminista, o bom jornalismo é fiel apenas a princípios democráticos e ao interesse público. É iconoclasta por natureza. Por vezes corrói certezas. Desnuda mitos. Rebaixa heróis a relés condição humana. Esse é o tipo de jornalismo praticado por Glenn Greenwald.

terça-feira, 13 de junho de 2017

O que explica o desespero da Globo? Família Marinho pede derrubada de Temer e aumenta turbulência política


A Globo nunca precisou manifestar por escrito suas posições para mover os cordões do poder. Dessa vez, deixou o roteiro – por escrito!

Desde ontem, estava claro que família Marinho, alinhada ao Partido da Justiça, deseja a rápida substituição de Temer por um governo “técnico” – que conclua as “reformas” e dê sustentação para a Lava-Jato concluir sua tarefa principal: impedir Lula de ser candidato.

Como afirmamos aqui: a Globo deseja “limpar” o golpe. Temer no poder cria uma dissonância: se Dilma foi afastada em nome da moralidade (grande mentira, sabemos), como se explica que uma gangue esteja hoje no controle do país?

A Globo nunca quis moralidade. O grande projeto é desregulamentar o mercado de trabalho, tirar direitos sociais e abrir o Brasil pra investimento estrangeiro. De quebra, a família Marinho poderia passar a empresa nos cobres, desde que a Lei de Telecomunicações seja alterada e a TV possa assim ser vendida a algum investidor estrangeiro.

Temer servia como operador dessa agenda – que foi rejeitada nas urnas. E por isso trata-se de um golpe! A vontade majoritária foi desprezada, e o programa derrotado 4 vezes no voto estava sendo implantado na marra.

Mas o timing da PF e da JBS acelerou as contradições, expondo de forma dramática a desagregação do bloco que deu o golpe. Numa linguagem mais “sociológica”, poderíamos dizer que desde 2013 o Brasil vive uma ampla “crise de hegemonia”. O bloco sob o qual Lula e Dilma governavam rachou, mas um novo bloco não conseguiu ainda impor sua hegemonia de forma desorganizada. É como se a disputa seguisse indefinida, agravando a crise e abrindo possibilidades para todo tipo de saída.

E aí entramos no segundo eixo desse editorial: o desespero. O tempo corre agora contra a Globo.

A Globo tem pressa. E se desespera. Porque as reformas já pararam. Se o único caminho para tirar Temer for o TSE, isso pode levar dois a três meses! Até lá, o clima nas ruas vai ferver. E a possibilidade de aprovar as reformas se evapora se tudo não estiver resolvido até agosto ou setembro…

Fora isso, a crise expõe mais e mais contradições. Agora Gilmar Mendes também aparece nas delações e pode ser submetido a impeachment, já que tramava com Aécio formas de influenciar votos no Senado.

Temer decidiu ficar, e expõe assim as contradições dos dois grupos golpistas: de um lado, a direita política, de outro o Partido da Justiça. O que unia os dois era derrubar Dilma e aplicar a agenda ultra-liberal.

Acontece que Temer, mais do que qualquer agenda, defende a sobrevivência dele mesmo e da gangue que o cerca.

A Globo ajudou a instalar no poder um grupo que vai permanecer ali o quanto puder, para garantir o foro privilegiado.

Seria fundamental, para a gangue midiática, instalar rapidamente um governo eleito indiretamente, para completar a destruição de direitos e acabar de abrir o país – inclusive parta investimentos estrangeiros nas comunicações. Mas no poder há outra gangue. Que vai usar todas as armas para resistir.

É curioso ver o editorial da Família Marinho invocar os interesses “dos cidadãos de bem”. Onde estavam esses “cidadãos de bem” quando a ditadura matava e torturava com apoio da Globo? Ou quando Collor arruinava o país com beneplácito da família Marinho? E quando FHC comprava a reeleição? Ou quando as empreiteiras e conglomerados privados enchiam as burras dos tucanos?

A Globo descobriu os cidadãos de bem recentemente?

Por isso, tenho aqui invocado a velha fórmula de Brizola: se a Globo está de um lado, fiquemos do outro!

Claro, não estou dizendo que devemos defender a gangue temerária. Mas apontando para duas questões: a esquerda e os movimentos populares vão servir de massa de manobra pra derrubar Temer, e na sequência ver a Globo instalar Carmen Lúcia/Meireles/Armínio Fraga no poder?

Para o campo popular, o melhor que pode acontecer é Temer ficar, expondo as contradições da direita liberal, esgarçando o tecido golpista. Que seja longa a agonia do governo golpista, expondo as vísceras do falso moralismo e dos tais “cidadãos de bem”.

Deixemos o “Fora, Temer” para os editoriais da Globo. Quem pariu mateus que o embale. A palavra de ordem do lado de cá já não é “Fora, Temer”. Mas “Diretas-Já” e “Parem as Reformas”.

Vamos pra rua pedir que o povo decida qual programa será implantado no Brasil. Ou seja, lutamos pela Democracia e contra o desmonte do Estado Nacional.

Enquanto isso, podemos até nos divertir um pouco com o desespero da Globo. E dizer: “Temer, resista!”

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Esclarecimentos sobre a retirada do grau de investimento

Marcelo Zero e Dalmo Palmeira
No curto prazo, o rebaixamento dos títulos brasileiros poderá provocar elevação do câmbio, pressão por maior alta dos juros, queda nas bolsas e redução do crédito. Mas é preciso relativizar decisões de agências comprovadamente comprometidas com os interesses especulativos de grandes investidores internacionais
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A retirada do grau de investimento dos papéis da dívida brasileira pela agência Standard and Poor´s, uma entre as três grandes agências que calculam riscos de investimentos, vem sendo acolhida, pela grande mídia oposicionista, como uma espécie de apocalipse econômico. Uma demonstração da suposta incompetência da gestão econômica dos governos do PT.
Ora, em primeiro lugar, é preciso destacar que o grau de investimento foi obtido, em abril de 2008, graças à gestão econômica competente dos governos do PT. Durante os anos em que governaram os que hoje nos acusam de má gestão, o Brasil nem sequer chegou perto desse grau concedido pelas agências.
Ao contrário, no final do período neoliberal, o risco país estava em estratosféricos 2.500 pontos e nossos papéis tinham classificação B+, quatro degraus abaixo do grau de investimento. Na época, nossos títulos eram pouco mais que lixo. E não o eram por causa do “efeito PT”, como dizem os críticos, pois, durante toda a gestão tucana, os títulos da nossa dívida jamais estiveram próximos do grau de investimento obtido nos governos do PT.
Em segundo, é necessário considerar que a agência referida muitas vezes não fez julgamentos isentos e precisos. Na realidade, a agência em questão tem um histórico de erros grosseiros. Em fevereiro deste ano, a Standard and Poor´s foi obrigada, pela justiça dos EUA, a pagar multa e indenizações no valor de US$ 1,5 bilhão ao Departamento de Justiça norte-americano e a 19 estados daquele país, por sua ação desastrada no movimento especulativo que deflagrou a atual grande crise mundial.
Com efeito, pouco antes do estouro da bolha especulativa, a Standard and Poor´s, ignorando as evidências, classificava papéis do mercado subprime, inclusive os do Lehmann Brothers, como de baixo risco.
No julgamento, a agência foi forçada a admitir que as suas “análises” desses títulos foram afetadas por suas “preocupações comerciais”. O Attorney General Eric Holderfoi, entretanto, mais direto. Afirmou: “embora essa estratégia da S&P tenha evitado desapontar seus clientes, ela causou graves danos à economia, contribuindo para a deflagração da pior crise financeira desde a Grande Depressão”.
Portanto, é indispensável tomar com muito cuidado quaisquer decisões de agências que estão comprovadamente comprometidas com os interesses especulativos de grandes investidores internacionais.
Em terceiro, não se pode dissociar, como faz maliciosamente a mídia oposicionista, as dificuldades econômicas atuais do Brasil dessa grande crise mundial, para a qual a S&P contribuiu de forma decisiva.
A crise atual, muito mais longa, profunda e extensa que as crises periféricas enfrentadas pelos atuais críticos, se agravou com o fim do ciclo das commodities e, agora, se abate pesadamente sobre os países emergentes.
Na época em que mandavam os críticos de hoje, as crises tinham denominação geográfica: crise da Rússia, do México, da Argentina, da Ásia, etc. Hoje, trata-se, de fato, de uma grande crise mundial, que afeta, em maior ou menor grau, todos os países. Até mesmo o gigante chinês, moderna locomotiva econômica internacional, vem sendo afetado pela crise.
No ano passado, mais de 80% dos países do mundo teriam apresentado déficits orçamentários, alguns bem mais sérios que o apresentado pelo Brasil. A bem da verdade, boa parte dos países desenvolvidos está em situação muito pior que o Brasil, com déficits orçamentários mais volumosos que o brasileiro e indicadores gerais bem mais deteriorados.
Mas, mesmo assim, muitos mantêm grau de investimento. Exemplo disso tem sido a classificação da República da Itália a quem a S&P concede grau de investimento, apesar de sua relação dívida/PIB manter-se acima de 130%, enquanto que essa relação no Brasil representa praticamente a metade desse percentual.Um mistério que a S&P não explica. Talvez para não afetar interesses de seus clientes, como fez em 2008.
Clique para contribuir!
De todo modo, no curto prazo, o rebaixamento dos títulos brasileiros poderá provocar elevação da taxa de câmbio, pela saída adicional de capitais estrangeiros; pressão por maior elevação da taxa de juros, devido ao aumento do risco de nossos papéis; queda nas bolsas nacionais, pela saída de investidores estrangeiros e redução da disponibilidade de linhas de crédito para empresas brasileiras.
Muitos especuladores se aproveitarão desse rebaixamento, turbinado pela ação dos que desejam o “quanto pior melhor”, para obter lucros imediatos apostando contra o Brasil, em meio a um clima de pessimismo cuidadosamente gestado por motivos políticos menores.
Entretanto, o mercado já vinha se antecipando a esses movimentos especulativos. Desde a última avaliação, em 28/07 último, a S&P havia sinalizado o viés negativo da próxima avaliação e, portanto, já era de conhecimento do mercado a tendência dessa agência de risco reduzir a classificação dos títulos brasileiros, passando para o grau especulativo.
Nesse sentido, os agentes de mercado já vinham adotando, nos últimos meses, atitudes antecipatórias, como a saída gradual do mercado de ações, o fechamento antecipado de contratos de câmbio e a aplicação em títulos públicos, mediante taxas de juros mais elevadas.
Essas atitudes antecipatórias levaram a que o mercado já estivesse precificando os efeitos de uma eventual perda do grau de investimento, o que tende a minimizar os efeitos da decisão da S&P, após seu anúncio no dia de ontem.
Assim sendo, embora se prevejam alguns prejuízos de curto prazo, no médio prazo a nossa economia, que tem indicadores mais sólidos que a média dos países desenvolvidos, deverá absorver esse rebaixamento, e o governo continuará a tomar as medidas para voltar fazer o país crescer, distribuindo renda e oportunidades para todos.
Apesar da S&P, dos especuladores e dos que confessadamente fazem oposição ao Brasil.
Diga-se de passagem, esses últimos afirmam, de forma irresponsável, que não cabe a eles contribuir para a solução das dificuldades atuais do Brasil. Com isso demonstram duas coisas:1) não têm compromisso com o País e 2) não têm condições de governá-lo, pois, no fundo, não têm ideias e propostas a apresentar à Nação.
Por último, deve-se enfatizar que o principal fator para a demora na reversão das expectativas dos investidores, principal objetivo do ajuste, está no clima político deteriorado, acalentado por uma oposição que, como os especuladores financeiros, aposta contra o Brasil.
Mais que em eventuais déficits orçamentários, nosso problema maior está no déficit de compromisso com o Brasil e sua democracia.
tabela-classificacao de risco
classificacao s&p
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Fonte> http://brasildebate.com.br/esclarecimentos-sobre-a-retirada-do-grau-de-investimento/

terça-feira, 14 de julho de 2015

Fim do blog aldeia gaulesa

E o momento chegou, sem mais rodeios e adiamentos, resolvo anunciar o fim das atividades do blog Aldeia Gaulesa. 
Sim, este blog não receberá mais novos conteúdos e está encerrando, oficialmente, sua continuidade. Contudo, o blog não será apagado, mantendo no ar todo seu arquivo de publicações.
Mas, antes de seguir expondo as razões deste anuncio, cabe um rápido comentário sobre as motivações iniciais deste blog e sua trajetória.

Criei o Aldeia Gaulesa em janeiro de 2007, mas não foi este o meu primeiro blog. No final dos anos 1990 tive uma primeira experiência, na época ainda não tinha o termo "blog" se popularizado e aquela primeira tentativa foi utilizando a plataforma "HPG" (alguém ainda se lembra dela?), durou alguns meses, com bons resultados, mas de vida efêmera. O uso da internet ainda era restrito e as possibilidades técnicas limitadas e custosas economicamente.

Depois disto criei dezenas de outros sites e blogs, alguns coletivos outros individuais, mas a experiência mais exitosa e duradoura sem dúvida foi o Aldeia Gaulesa. Quando o criei em 2007 a ideia era de um blog claramente de esquerda, sem medo de tomar posições políticas, mas que não restringi-se o diálogo apenas para "convertidos" ou filiados a determinado partido. Era criar um espaço de debate e informação no campo da esquerda, mas que não se fecha-se a internismos e questões que pouco interessam a um público um pouco mais amplo.

O espírito geral era de ser mais uma voz de resistência e em defesa da democratização do acesso a informação, uma "aldeia" de resistência em um ambiente amplamente dominado pelos grandes meios de comunicação. Sem alimentar ilusões de que um blog, sozinho, teria capacidade de promover grandes mudanças, mas com a pretensão mais modesta de tentar, de alguma forma, colaborar para a difusão de uma opinião crítica sobre a sociedade.

Durante este período, o blog contou com inúmeros colaboradores, que ajudaram de diversas maneiras para o blog ter vida e público. Foram mais de três mil e trezentos posts, mais de um milhão e meio de acessos e algo entorno de seiscentos mil visitantes únicos. São números que nos orgulham, principalmente se constatarmos que o blog jamais contou com qualquer estrutura profissional, com qualquer aporte financeiro e sendo atualizado basicamente nos meus horários livres.

A bem da verdade, o blog contou com uma conjuntura favorável, quando em meados da década passada a chamada blogosfera emergiu ganhando um amplo espaço nas redes, mostrando uma força tamanha que muitas chegaram a firmar que estava fadado o fim dos “portais de notícia” e dos grandes “jornalões” como canais hegemônicos de informação e opinião. Uma mídia alternativa, com baixíssimo custo e com uma potencialidade infinita de pluralidade de opiniões parecia ser um caminho sem volta. Podemos chamar este período de a “era de ouro” da blogosfera, onde milhares de blogs surgiram em todo o país.

No Brasil, o grande momento deste tipo de comunicação alternativa talvez tenha sido na eleição da Dilma em 2010 e o famoso caso da “bolinha de papel”. A possibilidade das informações passarem a ser fruto de ações individualizadas e fragmentadas, rompendo com o monopólio das grandes empresas de mídia, no entanto, já naquele período demonstrava alguns sinais de fragilidade da blogosfera, que nos anos seguintes se confirmariam. Se 2010 pode ser apontado como o auge da blogosfera progressista, foi também a partir daí que se acelerou seu processo de derrocada. Não pretendo aqui detalhar suas causas, mas constatamos que o enfraquecimento da blogosfera que se iniciou nesta década é incontornável. Ela seguirá, sem dúvida alguma existindo e desempenhando um papel fundamental na disputa de opiniões e informação, mas não com o mesmo alcance e sedendo espaço para outros meios e plataformas, mas bem, isso já é assunto para outro momento.

Merece registro a triste constatação que são poucos (quase inexistentes) os mecanismos de fomento e incentivo, no Brasil, para a construção de espaços de mídia e comunicação alternativa. Tentar fazer mídia alternativa em nosso país é uma tarefa heroica!

A noção de pluralidade que potencialmente a informação nas redes permite, está cada vez mais condicionada a presença hegemônica dos grandes veículos e ao poder financeiro. Hegemonia relativa e com fragilidades, mas ainda sim uma presença cuja força é inquestionável. As próprias redes sociais, fundamentais para uma difusão de informação, hoje caminham para um fechamento cada vez maior, no Facebook, a maior rede em número de usuários, quem não pode pagar para ser visto, desaparece.

Felizmente, a internet não se resume ao Facebook e aos portais, a comunicação alternativa e direta entre as pessoas segue e seguirá viva. O que não tem mais sentido é tentar, através dos poucos recursos disponíveis para um blog, acreditar que isoladamente, possa dar conta de responder ao conjunto de fatos da conjuntura imediata. Ainda que o Aldeia Gaulesa nunca tenha tido exatamente esta pretensão, sempre teve em sua pauta central debater os temas da conjuntura imediata. Paulatinamente, no entanto, não tivemos mais folego para manter uma linha editorial neste sentido. Sem nenhum investimento e algum grau de profissionalismo, não é possível, diariamente, debater os principais fatos do momento por uma perspectiva crítica. A falta de meios materiais se impõe...

A vida também se encarrega de colocar novas perspectivas e desafios e, no meu atual momento, não é mais possível dedicar tantas horas diárias para manutenção deste espaço. Nos últimos meses o ritmo de atualizações já havia caído drasticamente. Tive o desprazer, ao longo desta caminhada na blogosfera, de acompanhar muitos blogs parceiros de luta e caminhada acabarem. A imensa maioria sem anunciar formalmente seu fim, alguns até mesmo ensaiando retornos, que no entanto foram efêmeros e sem continuidade. Acho ruim um blog acabar desta forma e por essa razão que optei por anunciar o fim do blog e não simplesmente acabar com ele por falta de atualização, quase como uma "morte por inanição".

O Aldeia Gaulesa não receberá mais nenhuma atualização, assim como não será mais permitido a publicação de nenhum comentário.

O blog não será retirado do ar, todos os posts e comentários seguirão disponíveis na rede. Como historiador, defendo a importância da manutenção de registros de memória. Na web, onde muitas vezes reina uma instantaneidade fugaz, que não deixa registros públicos, manter viva esta memória digital é um esforço necessário.   

Por fim, quero agradecer a todas e todos que, de alguma forma, acompanharam este blog. Seja aqueles que escreveram artigos, sugestões de pauta, comentários e observações das mais variadas, ajudaram na divulgação do blog ou ainda simplesmente lendo os posts que circularam no Aldeia. Foi esta rede, informalmente formada, que fez o blog existir de fato, sem isso, não teria todos estes anos na ativa. A todo/as vocês meus sinceros e fraternos agradecimentos. 

A luta segue e muito em breve nos encontraremos novamente em uma nova "trincheira de resistência" na web. 


PS: Esta "Aldeia Gaulesa" na blogosfera se encerra em um momento muito particular e carregado de sentidos políticos. Uma outra "Aldeia Gaulesa" se ergue na Europa: a Grécia de Alexis Tsipras, Varoufakis e o Syriza. A Grécia que ousa se erguer de forma soberana, legitimada por um plebiscito onde 60% decidiu, por um novo caminho. Decidiu dar um basta as políticas de austeridade, impostas pela Troika (FMI, União Europeia, Banco Central Europeu), presas em sua ortodoxia neoliberal, que repedidas vezes, nas últimas décadas, tem se mostrado desastrosas. Esperamos que esta tentativa grega tenha sucesso e que inspire os povos europeus a buscarem outras alternativas emancipatórias que rompam com a ditadura dos mercados.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Essa tal liberdade: obrigado por fumar

A propósito de uma discussão sobre liberdade do livro "Política para não ser idiota" de Mario Sergio Cortela e Renato Janine Ribeiro e de subjetividade do livro Pela Mão de Alice de Boaventura Souza Santos.

Trailer filme: Obrigado por fumar

https://www.youtube.com/watch?v=EPuY5vjfZFs

Full movie:

https://www.youtube.com/watch?v=QVXXEyHMwZg

quarta-feira, 25 de março de 2015

Manchetômetro: A [des] focagem da política na mídia

Situação: Série temporal

No gráfico abaixo apresentamos a série temporal do agregado de artigos e colunas dos três meios relativos à situação. Nela estão agregados os textos que têm por objeto a presidenta Dilma Rousseff, o Governo Federal e o PT. Os textos estão agrupados por valência.
FavorávelContrárioNeutro28-03/0104-10/0111-17/0118-24/0125-31/0101-07/0208-14/0215-21/0222-28/0201-07/0308-14/0315-21/03

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Coronel Malhães: Memórias sujas da Ditadura

O tenente-coronel Paulo Malhães, morto em seu sítio no interior no Rio de Janeiro em abril, fez 14 viagens secretas ao sul do Brasil durante a ditadura, segundo reportagem publicada nesta segunda-feira (24) pelo jornal "O Globo". As viagens, realizadas entre 1976 e 1980, seriam parte da "Operação Gringo", deflagrada em parceria com a Argentina para perseguir e caçar refugiados no Brasil, principalmente os militantes da guerrilha montonera.
Segundo o jornal, as viagens reforçam as suspeitas sobre o envolvimento direto do governo brasileiro na morte e no desaparecimento de argentinos no Brasil. O grupo do Ministério Público Federal batizado de "Justiça de Transição", que investiga os crimes do regime militar brasileiro, teria encontrado dois volumes denominados "Operação Gringo" no sítio do tenente-coronel, comprovando o monitoramento de estrangeiros no Brasil.
Em depoimento à Comissão Estadual da Verdade, Malhães confessou ter ajudado a prender argentinos adeptos de movimentos revolucionários que buscavam refúgio ou que passavam pelo Brasil e relatou a captura de um líder do grupo Montoneros. Entre eles estava um líder do grupo Montoneros, cujo nome não foi revelado. "Aí o presidente me chamou: 'Malhães, qual foi a cagada [sic] que você fez aí [no Rio de Janeiro]? Sequestrou um argentino importante?'. Eu sequestrei. Eu realmente sequestrei. Mandei de volta para a Argentina", declarou.
Malhães, que confessou ter torturado e matado presos políticos na ditadura morreu em 25 de abril em sua casa em Nova Iguaçu (RJ) após ter seu sítio invadido. Três pessoas foram presas acusadas pelo crime. Segundo a polícia, houve um latrocínio: o grupo queria revender as armas que o coronel guardava em casa. A polícia descartou a possibilidade de o crime ter relação com a atuação de Malhães como torturador na ditadura.

http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2014/11/24/coronel-malhaes-fez-14-viagens-secretas-ao-sul-do-pais-durante-a-ditatura.htm




Comissão da Verdade investiga violações cometidas na ditadura125 fotos

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25.mar.2014 - O coronel reformado Paulo Malhães fala a representantes da Comissão Nacional da Verdade, em audiência pública realizada na tarde desta terça-feira (25). Em depoimento, ele afirmou que tinha pavor de interrogar mulheres e gays, em referência à sua atuação na Casa da Morte de Petrópolis, um dos centros clandestinos de tortura do regime militar, na serra fluminense Pedro Kirilos / Agencia O Globo
O coronel reformado do Exército Paulo Malhães foi encontrado morto, na manhã desta sexta-feira (25), no sítio em que morava, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O corpo apresentava marcas de asfixia, informou a Polícia Civil. O caso está sendo investigado pela Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense.
Malhães prestou depoimento em março à Comissão Nacional da Verdade em que relatava ter participado de prisões e torturas durante a ditadura militar. Disse também que foi o encarregado pelo Exército de desenterrar e sumir com o corpo do deputado Rubens Paiva, desaparecido em 1971.
De acordo com o relato da viúva Cristina Batista Malhães, três homens invadiram o sítio de Malhães na noite desta quinta-feira, 24, à procura de armas. A versão foi confirmada pelo delegado Fábio Salvadorete, responsável pela investigação. O coronel era colecionador de armamentos, disse a mulher aos policiais da DH-Baixada que estiveram na propriedade.
"Não estamos descartando nenhuma hipótese. Pode ter sido um homicídio por motivo de vingança e até mesmo um latrocínio, uma vez que foram levados vários pertences da vítima", afirmou Salvadorete. Segundo o delegado, os criminosos levaram dois computadores, pelos menos três armas antigas colecionadas pelo militar, um aparelho de som, joias e cerca de R$ 700 em dinheiro.
Cristina disse que ela e o caseiro foram amarrados e trancados em um cômodo, das 13h às 22h desta quinta-feira (24), pelos invasores. Em nota, a Polícia Civil informou que agentes "buscam imagens de câmeras de segurança que possam auxiliar na identificação" dos suspeitos de assassinar o militar.
"A perícia de local foi realizada e a mulher da vítima e o caseiro já foram ouvidos. Os agentes buscam imagens de câmeras de segurança que possam auxiliar na identificação da autoria do crime. Foram roubados armas da coleção da vítima e computadores. O caseiro será encaminhado para confecção de retrato falado", informou a instituição.
O coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Pedro Dallari, afirmou ter solicitado ao ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) que a Polícia Federal acompanhe as investigações sobre o assassinato do coronel. Já o Exército afirma, por meio de sua assessoria de imprensa, que "aguarda as investigações dos órgãos de segurança pública".
Luiz Roberto Lima/Extra/Agência O Globo
Peritos inspecionam casa do sítio do coronel Paulo Malhães, encontrado morto na manhã desta sexta-feira (25), em Nova Iguaçu
"Por se tratar de uma situação que envolve investigação conduzida pela CNV, que é órgão federal, pedi que a Policia Federal fosse acionada para acompanhar as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Rio", afirmou Dallari.
O presidente da CEV-RJ (Comissão Estadual da Verdade), Wadih Damous, afirmou ser "possível que o assassinato do coronel Paulo Malhães tenha sido queima de arquivo". Para Damous, o crime tem que ser investigado com rigor.
"Na minha opinião, é possível que o assassinato do coronel Paulo Malhães tenha sido queima de arquivo. Ele foi um agente importante da repressão política na época da ditadura e era detentor de muitas informações sobre fatos que ocorreram nos bastidores naquela época. É preciso que seja aberta com urgência uma investigação na área federal para apurar os fatos ocorridos no dia de hoje. A investigação da morte do coronel Paulo Malhães precisa ser feita com muito rigor porque tudo a leva a crer que ele foi assassinado", declarou.
Já a ministra Ideli Salvatti (Direitos Humanos) disse que seria "irresponsável" concluir que o assassinato de Malhães foi queima de arquivo sem a investigação sobre a morte. Ela cobrou seriedade dos órgãos de segurança nas apurações do caso. "Seria uma irresponsabilidade prestar declaração que associe o assassinato ao depoimento antes que qualquer tipo de investigação indique isto. Não podemos fazer acusações", defendeu a ministra.
A advogada Nadine Borges, que também integra CEV do Rio, afirmou à Folha de S.Paulo ter conversado com uma das filhas do militar. Segundo ela, a mulher do coronel foi amarrada e todas as armas do militar foram roubadas. "A polícia tem que investigar a fundo esse crime. Tudo indica que é uma queima de arquivo", disse ela.
A ex-ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República Maria do Rosário comentou a morte de Malhães.
"Soa estranho que, após essas revelações, o militar tenha sido assassinado. Estou entrando em contato com os ministros Ideli (SDH) e José Eduardo Cardozo (MJustiça) para pedir apoio da Polícia Federal na investigação", escreveu ela em sua página no Twitter. (Com Agência Brasil)

MORRE CORONEL USTRA, EX-CHEFE DO DOI-CODI : 15/10/2015.


http://www.brasil247.com/pt/247/brasilia247/201031/Morre-coronel-Ustra-ex-chefe-do-DOI-Codi.htm