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segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Fenêtre

Janela Aberta que se abre 
[E Oblitera 
Desavisada 
Nuvem pássaro 
Vento [átimo
 Alvissaras
 Tangerinas 
Tergiversado 
O tempo tem passado 
Bebé Só não passa a ausência dias possíveis que não foram

 Janela que se abre 
Em cheiro 
Sentidos Verso:
 Diverso imaginei 
 Almas
 decaindo vertiginosa queda abissal
 Há um fosso raro
 – aí habitam nossos corpos - 
Premidos pelo tempo 
Do que o tempo
 não sabe nem alcança
 Com seus 
dedos tépidos

 Apodrecer é um verbo 
fácil 
Eu apodreço 
Tu apodreces 
Podres e quase 
átomos em decomposição efêmera 
Sentaremos à janela 
E nossas almas 
livres da represa
 voarão ligeiras 
juntando-se à cachoeira
 anti-descendente 
 anti-gravidade 
anti-brevidade e 
seremos uma torrente inteira inundando as nuvens de sentido e de beleza 
[como somos belos meu bem
 apesar de tudo] 
inundaremos o céu
 anjos de asas débeis 
demônios de riso fácil 
e seremos nuvem 
quando sobrar espaço?

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Não existe amor em SP?

Não existe amor em SP?
                                                     
                                                          "Todo revolucionário é movido
                                                          por grande sentimentos de amor"

Tem amor pra caráleo
A cada esquina
Nos terraços

Mas Sao Paulo
 não é um buquê 

É um túmulo reto
De concreto e vertigem 

As paredes vibram
Com as marcas das ranhuras
Gritos-mudos
De desespero
De seus enclausurados 

As tripas frias do metrô 
Parindo a indiferença 

Marquises blindadas 
aos sonhos dos despossuídos 

O amor
RESISTE!!!

Nos becos insólitos
Nos buracos da existência 
Cavados por humanos-quase

Resiste!!
Em algum ponto
Da Av. Ipiranga
Com a Av. São João 

Resiste !!!
Sob o vôo repressivo 
Das bombas de gás 
E dos aparelhos 
Anti-amor

Resiste !!!!
Em algum botequim barato
Ou em hotel qualquer
Desmoronando 

O amor
Resiste entre os escombros
Da história que
ainda não chegou ao fim

Resiste!
No peito daqueles
 que marcham
ao lado das lutas do povo!

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Amar é coisa de minutos

Amar você é coisa de minutos
A morte é menos que teu beijo
Tão bom ser teu que sou
Eu a teus pés derramado
Pouco resta do que fui
De ti depende ser bom ou ruim
Serei o que achares conveniente
Serei para ti mais que um cão
Uma sombra que te aquece
Um deus que não esquece
Um servo que não diz não
Morto teu pai serei teu irmão
Direi os versos que quiseres
Esquecerei todas as mulheres
Serei tanto e tudo e todos
Vais ter nojo de eu ser isso
E estarei a teu serviço
Enquanto durar meu corpo
Enquanto me correr nas veias
O rio vermelho que se inflama
Ao ver teu rosto feito tocha
Serei teu rei teu pão tua coisa tua rocha
Sim, eu estarei aqui

Paulo Leminski

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Cinco minutos

no fim das contas
estão todos procurando por histórias

se as paixões durassem
apenas cinco minutos
fariam tudo isso menos complicado

a paixão tem anzois
tem redes
tem ganchos
tem barbatanas
tem ferrões
arpões
e ferro em brasa

a paixão tem seus jeitos
sua cólera
suas estratégias
suas doenças e remédios

a paixão veste um jeans
sobe a rua
dobra esquina
senta na mesa de um bar
pede uma cerveja
ou um conhaque
e ri-se dos bêbados
amolecidos de razão

a paixão
apanha o batom
na cabeceira
escolhe a calcinha mais vermelha
e cruza os faróis
sem olhar pra trás
não da esmolas
não compraz-se dos que habitam a rua

a paixão é feia
mas anda sempre muito bem maquiada
não possui espelhos
e não gosta muito de shopping centers

a paixão sempre morrerá de velha
é um vírus
uma bactéria
um esquistossomo
que nos enforca pelo pescoço

mas morrerá de velha
morrerá velha e feia