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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

"É preciso perdoar quem bateu panela, não o PMDB e PSDB", diz Dilma


Em entrevista à DW em Berlim, presidenta eleita Dilma Rousseff destacou que o Brasil "precisa se reencontrar" para sair da crise política que enfrenta e que não se deve ter espírito vingativo nas próximas eleições, o que não significa perdoar os golpistas do PMDB e PSDB.
"Não acho que perdoar golpista é perdoar o PMDB e o PSDB", disse ela, numa clara referência à declaração do ex-presidente Lula que afirmou que é preciso perdoar os golpistas, Dilma, no entanto, disse que "perdoar golpista é perdoar aquela pessoa que bateu panela achando que estava salvando o Brasil, e que depois se deu conta de que não estava".

"Uma hora nós vamos ter que nos reencontrar. Uma parte do Brasil se equivocou. Agora isso não significa perdão àqueles que planejaram e executaram o golpe. Você tem uma porção de pessoas que foram às ruas e que estavam completamente equivocadas. Mas você não vai chegar para elas e falar 'nós vamos te perseguir'. Precisamos criar um clima de reencontro, entende? Não vai ser um clima vingativo, não pode ser isso", frisou Dilma.

Falando sobre o que restou dos partidos e grupos que encabeçaram o golpe contra o seu mandato, a presidenta enfatizou que, com o impeachment "o PSDB acabou, sumiu".

"O que os conservadores conseguiram produzir? Produziram a extrema direita, o MBL [Movimento Brasil Livre] e o [Jair] Bolsonaro. E o que ainda é novo no Brasil? O gestor incompetente, tipo o Trump? O João Dória? Ou você deseja a política de animação de auditório como política social, que é o Luciano Huck? Isso é o novo?", indagou.

Questionado sobre a suposta necessidade de "novas lideranças", Dilma respondeu: "Sabe o que eu acho que é o novo? Esse foi um pensamento que tive depois do caso do William Waack. Você sabe o que é coisa de preto? O PT é coisa de preto. O Lula é coisa de preto. Nós somos coisa de preto. Eu sou uma coisa de preto".

Na entrevista, Dilma foi questionada se acreditava que a história vai ia lhe dar razão. "A história no Brasil tem sido rápida. Ela já está me dando razão", respondeu a presidenta.

"Eduardo Cunha, que presidiu meu impeachment, foi afastado, suspenso, condenado a nove anos e está preso. Vários processos mostram que ele comprou deputados. Também foi comprovado que os motivos alegados para o impeachment eram ridículos, que não pratiquei nada ilegal", lembrou Dilma. "Alegaram que o impeachment ia resolver a crise econômica e política, mas essas crises só se aprofundam. O atual presidente usurpador já foi denunciado duas vezes, e o senador Aécio Neves também, ambos enfrentam provas cabais e gravações. Mas essas duas pessoas continuam em seus cargos, enquanto duas outras [Dilma e Lula] são acusadas apenas por terem sido presidentes", completou.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Entendendo o Voto Não de Mauro Mariani

Por Jeison G Heiler
O Deputado Federal Mauro Mariani votou contra o presidente TEMER na ultima denúncia encaminhada por Janot ao Supremo. Mas fez isso depois de ter votado de maneira favorável no primeiro processo. Muitos tem gastado neurônios para entender o voto do deputado. Est simplissimum: ele é candidato ao governo do Estado e não quer pegar carona na rejeição de Temer. No mais, se desdobra em justificativas, como a dada abaixo em entrevista ao OCP, para disfarçar a manobra. O fato é que ele está perdendo nas pesquisas, e sabe que precisa desvincular-se da imagem de TEMER e do PMDB para conquistar a simpatia do eleitor. Cabe saber se o eleitor vai engolir esta história de que o PMDB de SC não é o mesmo PMDB nacional. Será que o eleitor vai comprar essa tese? 

Entrevista ao OCP:
Depois de pedir a renúncia da Executiva Nacional do PMDB, o deputado federal catarinense Mauro Mariani (PMDB) votou a favor da investigaçãocontra o correligionário, presidente Michel Temer, denunciado pela Procuradoria-Geral da República por obstrução de justiça e organização criminosa. Com o placar de 251 a 233, a votação dessa quarta-feira (25), acabou barrando a denúncia, que envolve também os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco.
Mariani votou contra a primeira denúncia por entender, segundo ele, que a troca de comando prejudicaria a retomada econômica, mas agora, diz, surgiram elementos mais graves e fundamentados envolvendo a presidência e a cúpula do Executivo.
Em entrevista à coluna, o presidente estadual do PMDB avaliou a votação e disse acreditar que é um erro insistir na Reforma da Previdência.
Patricia Moraes – Deputado, como explica a mudança de voto de uma denúncia para outra?
Mauro Mariani – Você sabe e todo mundo sabe que eu já estava dando recado da insatisfação do partido em Santa Catarina. Eu já tinha defendido publicamente a renúncia da cúpula nacional. Mas os caras fecharam os olhos e ouvidos. O cenário também mudou bastante de lá para cá. O PMDB é um partido com mais de dois milhões de filiados. Será que não tem meia dúzia capaz de assumir o comando nacional? São sempre os mesmos, desde que o partido virou governo, e isso faz tempo. Esteve com Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma. Não dá. Chega um momento em que é preciso bater na mesa. No momento da primeira denúncia, o Brasil precisava se restabelecer e agora estamos saindo da crise e notadamente a economia descolou da política.
O senhor não teme represálias?
O governo vinha fazendo ameaças. Não tem problema. Não nasci em noite de tormenta e nem tenho medo de cara feia. E eu venho cobrando do governo verba para BR-280 e 470 há tempo. Falo, cobro, faço reunião, mostro dados. Mas para Santa Catarina tudo é difícil. Nunca tem dinheiro. Fazem o mínimo, para não dizer que a obra parou. Engraçado que para o Dória tem dinheiro, para o Rio de Janeiro fizeram uma plano especial, agora para uma agenda de eventos vão ser R$ 200 milhões. Não pode ser assim, os catarinenses sempre ficam no prejuízo.
Deputado, uma das leituras que se faz é que o placar mostra que o governo Temer não vai ter voto para aprovar a Reforma da Previdência.
Isso eu venho falando faz tempo. E vem cá, será que esses deputados que estão aí têm legitimidade para fazer alguma mudança? Será que não é mais prudente esperar? Que reforma é essa que o governo quer fazer? O governo encaminhou o debate errado, misturou números. Não podemos prejudicar o trabalhador comum, o que precisa ser feito é acabar com os privilégios. Esse debate precisa ser feito de maneira franca com a sociedade, não assim. E a eleição é um bom momento para isso.
É mais fácil aprovar a Reforma Tributária?
Sim, é mais fácil. Em tese, ninguém é contra, mas vamos ser sinceros, o diabo mora no detalhe. A hora que começar a esmiuçar isso, vai ter prefeito que acha que o município tem que ter mais verba, vai ter governador querendo mais e é preciso saber de onde vão vir os recursos. O primeiro debate que precisa ser feito é qual o tamanho ideal do Estado, qual o resultado dessa conta e de onde vão vir os recursos. Mas acredito que possa ser feito algo para desafogar a economia e preparar o caminho para 2018.
Como anda o debate sobre a eleição, seu nome foi definido como pré-candidato do PMDB?
Tranquilo, muito tranquilo. Não temos divergência, mas falta um ano ainda. O PMDB de Santa Catarina foi construído na luta e é por isso que temos que lutar por mudanças nacionais no partido. Não podemos deixar que um filiado de Corupá, de Jaraguá, nosso se envergonhe por culpa de meia dúzia.
Fonte: https://ocponline.com.br/noticias/plenario-eu-ja-estava-dando-recado-da-insatisfacao-justifica-mauro-mariani/