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terça-feira, 3 de abril de 2018

O STF e a prisão derivada de condenação em segunda estância: o ABC de Gilmar Mendes

Gilmar declarou: ''Se alguém torce para prisão de A, precisa lembrar que depois vêm B e C''. No Brasil, as coisas são mesmo simples, mais simples do que muitos pensam. Simples como o ABC. A, existe Lula, líder máximo do PT, Já condenado em segunda instância a 12 anos e 1 mês de cadeia. B, existe Michel Temer, um presidente do PMDB com duas denúncias criminais prontas para sair do freezer quando ele descer a rampa do Planalto. C, existe Aécio Neves, um um grão-duque do PSDB que aguarda na fila. Tudo muito simples.

Veja mais em https://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/04/03/gilmar-mendes-escancara-o-que-antes-era-oculto/?cmpid=copiaecola

sexta-feira, 9 de março de 2018

Desdobramentos da Lava Jato podem afetar eleições em SC

 Estaria o MDB replicando o seu modus operandi e usando a Lava Jato para limpar caminho para seu projeto em SC?

Lava Jato pode comprometer Paulo Bauer - PSDB:

 https://www.nsctotal.com.br/colunistas/moacir-pereira/inquerito-contra-bauer-torna-cenario-catarinense-ainda-mais-imprevisivel

E Lava Jato pode comprometer Colombo:

https://www.nsctotal.com.br/colunistas/moacir-pereira/denuncia-contra-colombo-e-considerada-grave-por-advogados-e

Sem foro privilegiado inclusive, pois renunciou ao mandato para Pinho MDB assumir:

 https://www.nsctotal.com.br/colunistas/moacir-pereira/denuncia-contra-colombo-pode-parar-na-justica-federal-de-sc

Eu já publiquei aqui, Raimundo Colombo que abra o olho com o MDB. Basta lembrar que agora Temer tem controle sobre a Lava Jato  (Restringiu orçamento, substituiu, direção da PF, Procuradora Raquel Dodge é do seu nucleo, e ainda criou ministério da segurança pública que tira autonomia da PF).

quarta-feira, 7 de março de 2018

A democracia conseguirá sobreviver ao século XXI

Dica de um texto excelente e curto (12 páginas) sobre a encruzilhada em que nos encontramos?
Pérez-Liñan, Aníbal – "A democracia conseguirá sobreviver ao século XXI?" – Nueva Sociedad, N. 267, 2017.

connect.unasus.gov.br/reuniao01

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

TEMER completa o desmonte da LAVA JATO e destitui chefe da PF

https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/11/08/temer-novo-chefe-policia-federal.htm

http://paranaportal.uol.com.br/politica/temer-define-novo-diretor-da-pf/

quinta-feira, 25 de maio de 2017

quarta-feira, 24 de maio de 2017

24/05/2017: Brasília em Chamas

VOU DIZER-LHES SRAS E SRAS UMA COISA POUCA. TIREM DE LÁ O TEMER NA PRIMEIRA OPORTUNIDADE. ELE TEM MOSTRADO QUE SERÁ CAPAZ DE QUALQUER COISA PARA MANTER-SE NO PODER.

https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/05/24/o-caminho-que-ele-tomou-e-uma-decisao-do-governo-nao-e-meu-diz-rodrigo-maia.htm

http://poliarquia.com.br/2017/05/24/manifestantes-poem-fogo-em-ministerio-durante-protesto-governo-convoca-tropas-federais/

https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/05/24/jungmann-fala-sobre-protestos-em-brasilia.htm

http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/297589/Ex%C3%A9rcito-abandona-Temer-que-j%C3%A1-cogita-recuar-e-anular-decreto.htm

https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/05/25/temer-recua-sobre-forcas-armadas-na-esplanada-dos-ministerios.htm

segunda-feira, 22 de maio de 2017

O QUE O JOINVILENSE DEVE ESPERAR COM A REFORMA TRABALHISTA

Por Biatriz Bittencourt de Assis e Ivan Rezende de Oliveira.

Acadêmicos do curso de Direito do Centro Universitário Católica de Santa Catarina, onde contam com bolsa de Pesquisa através do artigo 171 da Constituição de Santa Catarina.

      Nos últimos anos, nosso país tem passado por inúmeras transformações políticas, sociais e estruturais. Em boa medida, pode-se dizer que a sociedade ocidental sofreu profundas mudanças de paradigmas na viragem do século XVIII. Poderíamos dizer que foi após a queda da Bastilha, no entanto, havia  antes de 1.789 vários movimentos sociais e políticos que culminaram na Revolução Francesa. Logo seria possível abrir um debate se “o fruto cai porque o homem passa ou o homem passa porque o fruto cai”. O filósofo inglês Francis Bacon, no século XVI, ao desenvolver a Teoria da Causa Próxima, sustentou que não cabia ao Direito analisar a causa das causas infinitamente (SAMPAIO.p. 53). Dito isso, não pretendemos dar aprofundamento teórico nas “causas das causas”, por motivos que serão expostos mais adiante.
       Em um vídeo publicado em 2013[1] (que poderá também ser conferido na forma escrita[2]), o filósofo Enrique Dussel, considera o marco histórico que dá início a modernidade, a chegada de Cortés na América, provocando as profundas transformações que ocorreram na Europa a partir daquele momento. De qualquer forma, é sem contradita que foi a Revolução Francesa que abriu as portas (ou a caixa de pandora?), ou gestou em — sentido amplo — a sociedade como conhecemos hoje. O estopim teria sido, dentre outros motivos, a resistência de Luiz LVI para que se fizesse uma Assembléia Constituinte, proposta por Abade Sieyès. Um ano depois cai o velho regime e em 1.791, nasce a primeira Constituição como conhecemos hoje.
      Nos EUA, o movimento revolucionário teria tido estopim  no tea act (Lei do chá) em 1.773, o que teria causado um mal estar e em 04 de Julho de 1.976 é proclamada a independência dos Estados Unidos. Na Rússia, a Revolução Belcheviques de 1.917, talvez não tivesse viabilidade se não existisse naquele momento grande parcela  da população em estado de miserabilidade. A literatura é fonte para essa inferência (ver obras de Fiódor Dostoiévski). Em 1.964, aqui no Brasil, o Gaúcho de São Borja João Goulart, ao propor políticas sociais mais efetivas, por motivos que não vamos comentar neste texto, foi “retirado” do cargo. 
      Não pretendemos propor aqui uma discussão ideológica (pelo menos não nesse texto). No entanto, é importante destacar que em momentos de crise séria, sobreveio importantes transformações. Nos países considerados de democracia tardia — como o Brasil — a rigor a partir da Constituição de 1.988, tivemos importantes conquistas sociais, das quais muitas delas sequer chegaram a ser implementadas. No atual momento de crise política a população, de modo geral, pede mudanças, mas que não podem ser a qualquer preço. Isso pode gerar sérias consequências futuras. Acreditamos não ser possível a partir dos exemplos anteriores,  afirmar que aquelas transformações foram boas ou ruins. Boas para quem? Ruim para quem? Se a chegada do “homem branco” nas américas significou avanço comercial e econômico para o conquistador, para os nativos foi o crepúsculo. Na Revolução Francesa a mesma coisa, no Brasil não foi diferente após 1.964. Quais serão os efeitos deste momento em que o país vive um momento de convulsão intestina, quais serão no futuro os efeitos dessas transformações propostas a toque de caixa, retirando importantes conquistas através do discurso retórico do liberalismo econômico? 
      A proposta deste escrito é falar a respeito das reformas trabalhistas em marcha no país, não de forma técnica e erudita, mas que mesmo pessoas que não atuam na  área do Direito consigam visualizar alguns dos efeitos que estão, em certa medida, velados no projeto aprovado na Câmara no último dia 27. No entanto, o que foi dito nos primeiros parágrafos não está alhures aos efeitos das transformações legislativas que têm sido propostas. O que se pretende aqui é levantar alguns pontos e provocar o leitor para que possam posicionar-se de forma crítica às reformas. 
       Preparando o terreno para as reformas, recentemente, o Superior Tribunal do Trabalho reeditou o verbete da súmula nº 277[3]. (os efeitos das súmulas dos Tribunais Superiores, fixam o entendimento daquele Tribunal a respeito de assuntos controversos). A redação anterior determinava que os acordos coletivos perdessem eficácia, caso não fosse votado novo acordo até o término da vigência.
         Os joinvilenses que diariamente enfrentam jornadas de trabalho, que muitas vezes superam  as oito horas (Art. 58 - A duração normal do trabalho, para os empregados em qualquer atividade privada, não excederá de 8 (oito) horas diárias, desde que não seja fixado expressamente outro limite). Uma prática comum em setores do comércio, onde não raro, existem acordos que infringem regras invioláveis da CLT, abrindo a possibilidade de passivos trabalhistas (ensejando ações na Justiça do Trabalho), que agora ficarão mitigados (a reforma prevê mecanismos que trarão custos financeiros para quem pretende reclamar na justiça). Para o bem ou para o mal, empregadores estavam em condições de obrigatoriedade em “sentar” com os sindicatos e negociar anualmente. 
           Ao passo que o discurso reformista começou a ganhar força, o Supremo Tribunal de Justiça modificou o texto da súmula que retirava validade de acordos após o período de vigência. Entendemos que isso tem viés puramente  político. Explico: com o novo entendimento do Tribunal — que veio antes da votação das reformas — o acordo terá validade sob argumento do “princípio” da ultratividade (ultratividade, em senso comum, é uma lei que vale mesmo após o período inicialmente estabelecido), mesmo que não seja votado novo acordo. Isso tem o condão de retirar dos sindicatos parcela de força[4]. Os efeitos práticos resultam na protelação para que não ocorram novos acordos, se estes forem desfavoráveis ao empregador.
           Embora hajam muitas críticas aos sindicatos (inclusive nossa), atualmente estes são a ferramenta de força representativa dos trabalhadores para fazer frente a posição de superioridade do empregador. Alguém ingenuamente poderia defender que há igualdade negocial entre trabalhador e empregador.  
             Não pretendemos exaurir os pontos levantados anteriormente e, conforme anunciado no título, passamos a comentar alguns pontos da proposta.  

Reforma Trabalhista - Projeto de Lei 6787/16[5]

É indiscutível que vivemos diante de uma sociedade complexa e, com  advento da Constituição Federal de 1988, farta em direitos, ocorreram transformações sociais e econômicas que demandaram uma moldagem do ordenamento jurídico para atender as necessidades da sociedade. Todavia, conforme já dito anteriormente, devemos agir com cautela frente ao atual cenário reformista que vem refreando a legislação trabalhista protetiva através de um discurso retórico.
Para o Governo Federal, a proposta é para garantir emprego e superar a crise, porém, os trabalhadores temem um retrocesso com relação a solidez dos direitos conquistados e consolidados ao longo da história do Direito do Trabalho no Brasil. Hodiernamente, o Direito do Trabalho denota uma das mais significativas políticas públicas para a sociedade, assim como incorpora uma função econômica do ponto de vista tanto do empregador como do empresário.
Embora, a princípio, aparente ser apenas um dispêndio, não se pode negar que Direito do Trabalho é um importante instrumento responsável pela distribuição de renda e formação do mercado interno. Isto é, o consumo provém justamente dos componentes indispensáveis da sociedade regida pelo Direito do Trabalho. Nesta perspectiva, proporciona ao trabalhador uma inclusão econômica e realização pessoal.
É importante mencionar que dentro dessa ideia de reforma trabalhista, devemos ter uma profunda precaução, uma vez que o discurso falacioso é justificado com o “acréscimo” dos postos de trabalho, tal como assegurar a empregabilidade. Entretanto, a reforma trabalhista sustentada pelo governo, trata simplesmente de flexibilizar e vulnerabilizar as leis trabalhistas, bem como a racionalidade alcançada pela Consolidação das Leis do Trabalho. A reforma é de fato necessária? Ou é oportuno diminuir os custos com a mão de obra operária? Torna-se imperioso analisarmos os pontos escassamente debatidos.
É inegável a intenção de se superar a crise econômica pela qual passa o Brasil, elevando a capacidade produtiva e competitiva do setor empresarial. Do mesmo modo, incentivar a composição de conflitos neste âmbito. Esses são os fins declarado. Resta sabermos o intermédio com que serão (ou não) atingidos e os fins velados.
O PL 6787/16 foi encaminhado ao Senado e após aprovação, será enviado para a sanção presidencial. “Entre outras medidas, a proposta estabelece que a convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho prevalecerão sobre a lei em 15 pontos diferentes, como jornada de trabalho e banco de horas anual[6]” (PIOVESAN, 2017).
Curiosamente, parece que tenta-se revitalizar “coisas’ já feitas no passado laissez faire laissez passer, jargão defendido pelo liberalismo econômico, que significava intervenção mínima do Estado. Ademais, o Projeto pretende conferir mais controle para as Convenções e Acordos Coletivos de Trabalho através da implantação de novo dispositivo. Este — o art. 611-A —  dispõe que a Convenção ou o Acordo Coletivo de Trabalho têm força de lei quando deliberar a respeito de matérias como intervalo intrajornada, plano de cargos e salários, horas in itinere, e registro do empregado. Apostando em uma intervenção mínima estatal, hesitoso acreditarmos que os direitos dos trabalhadores não estarão garantidos, visto que as manobras podem resultar em desvantagens e exploração. Não obstante reputar à compensações em face de cláusulas redutoras de direitos, irrefutável a relativização de preceitos constitucionais.

Seguem algumas das propostas:

1.      O período de férias poderá ser determinado pelo empregador, sendo possível o parcelamento dos 30 dias de férias, em até três vezes, com pagamento proporcional. Um período deverá ser de pelo menos duas semanas contínuas. Anteriormente, o gozo deveria ser ininterrupto. Tal enunciado revoga a opção de férias consecutivas concernente aos menores de 18 anos e 50 anos de idade. Ostensivo o afastamento do art. 134, § 2º da CLT.
2.      O intervalo para alimentação poderá ser de apenas 30 minutos, ao invés de uma hora. O argumento é de que nesse espaço de tempo, o empregado pode realizar sua refeição, retornar ao trabalho e consequentemente sair mais cedo da empresa. No entanto, não foi sopesado que além do horário para alimentação, é elementar que o empregado faça um descanso, antes de retornar a sua atividade. Esta pausa está diretamente ligada a sua qualidade de vida, porquanto o art. 71 e §§ da CLT alude a “intervalos de descanso”.
3.      Possibilidade de pactuar sobre a realização de jornadas de trabalho diferentes de 8 horas por dia, desde que se respeite o limite de 12 horas diárias e 220 horas mensais. No tocante a essa flexibilização, a jornada de 12x36 pode ser praticada, desde que haja expressa autorização através de negociação coletiva[7]. Através da proposta, permite-se que o próprio empregado negocie com diretamente com o empregador, ignorando o elemento mais fragilizado da relação, o trabalhador.
4.      O Projeto também estabelece o limite de duas horas extras diárias, porém, pode ser ajustável por meio de “acordo individual, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho”. Atualmente, para se ultrapassar esse limite, é necessário prévia comunicação e autorização do Ministério do trabalho.  Se sancionado da forma como foi aprovado na câmara, constata-se uma redução do controle previamente feito pelo Estado, para dar lugar às negociações paralelas.
5.      A proposta regulamenta o trabalho intermitente, que permite a contratação de funcionários sem horário fixo de trabalho e com pagamento proporcional, com base nas horas de serviço. Isso é nada mais que uma espécie de formalização de que já ocorre. No entanto, entendemos que se trata de autorização legislativa, que tem o condão de manter o trabalhador em estado de insegurança quanto aos seus rendimentos.
6.      Fim da contribuição compulsória equivalente a um dia de trabalho, referente aos trabalhadores, e também a contribuição patronal. O desconto deverá ser expressamente autorizado, ou seja, o pagamento se torna facultativo. Esse é um ponto do qual já falamos por via indireta. Se há argumentos a favor da medida, que tem o fito de estimular os sindicatos a maior efetividade no apoio ao trabalhador. No entanto, o efeito  em conjugação com  a atual redação da súmula nº 277 do TST, mencionada de antemão, tem a finalidade política de reprimir a atividade sindical.
7.      A terceirização está autorizada de forma ampla e irrestrita. Com a reforma, o legislador tenta impedir que a dispensa de trabalhadores e a contratação em massa destes por meio de empresas terceirizadas, vedando a substituição por 18 meses. Esse ponto, embora não esteja no bojo do projeto de lei 6787/16 em comento, já foi aprovado com folga na Câmara e aguarda tramitação no Senado[8] 
8.      Acordos coletivos poderão criar remuneração por produtividade, prêmios de incentivo e participação nos lucros ou resultados. Hoje, essas remunerações variáveis eram negociadas através dos sindicatos. Visivelmente, há uma perda da autonomia sindical, até mesmo da sua identidade representativa. De que forma será garantida a paridade de armas no momento das negociações?
9.      Quanto a rescisão contratual, a proposta pretende abreviar a participação do sindicato no momento da extinção do contrato de trabalho. A presença do sindicato, no momento da homologação, passa a ser optativa. O argumento que sustenta esse ponto, é o tempo que leva para liberar os documentos necessário para liberação de FGTS e seguro desemprego. No entanto, mais uma vez afasta a participação sindical na relação empregador empregado.
10.   A legislação vigente determina que gestantes e lactantes deverão ser apartadas de seu ambiente de trabalho, quando em condições insalubres. Com o Projeto, o afastamento somente ocorrerá se a insalubridade for considerada no seu grau máximo. Se em dado momento  as mulheres tiveram importantes conquistas, esse é um ponto do projeto que ataca a dignidade da mulher enquanto gestante.
11.  O tempo empregado pelo trabalhador até o seu ambiente de trabalho, não mais será contabilizado na jornada de trabalho. O entendimento é que o trajeto não é considerado como tempo à disposição do empregador, para que seja computado na jornada. O efeito prático dessa previsão é determinar jornadas muito além das 44 semanais CF art. 7º XIII e CLT art. 58 § 3º, já que como bem sabemos, se somadas as horas que o trabalhador que hoje utiliza transporte fornecido pelo empregador em local de difícil acesso, tem esse deslocamento computado como jornada.    

          Esses são apenas alguns pontos, que (não) foram discutidos  e aprovado nos últimos dias. As reformas são mais profundas do que o presente texto expôs. Seria necessário uma análise pormenorizada e ampla dos impactos sociais, se levado em consideração a reforma previdenciária. Isso é seríssimo.  Há no mínimo contrassenso em relação aos avanços sociais alcançados na viragem do século.
              Não temos conhecimento, até a conclusão desse texto, de algum estudo que tenha levado em consideração a reforma como um todo.  A pergunta que fazemos aqui é: estaríamos apostando em um modelo de liberalismo onde não haverá compradores internos e se a assertiva estiver correta,  estamos cada vez mais nos consolidando como apenas a pobreza terceirizada?
POST SCRIPTUM   

         Hoje, dia primeiro de maio, ao finalizar esse escrito, pude ouvir através da mídia, que o Presidente defende a modernização da CLT sob argumento de gerar mais empregos.
       Joinville é notadamente uma cidade onde as pessoas se orgulham do trabalho e das conquistas através dele. Recordo-me de quando cheguei nessa terra em meados do ano 2.000 (a coautora desse texto, é natural de Joinville). Nessa época, conheci pessoas que aqui laboraram uma vida e, após o período aquisitivo do direito a aposentar-se, ainda com vigor, inúmeros passaram a aproveitar essa bela região litorânea. A grande maioria possui casa nos balneários da região, onde costumam passar finais de semana com a família e amigos.  
         Recordo-me ainda do orgulho que as pessoas tinham em trabalhar na Embraco, ou na  Multibrás, atual Whirlpool, mas que todos ainda chamavam de Consul. A pujante indústria metalúrgica, têxtil, além de outros segmentos. Havia muito trabalho duro (e ainda há) e boa parcela de segurança para o operário. O trabalhador de Joinville, notadamente recorre a Justiça do Trabalho quando sente que teve seus direitos violados. Não nos cabe aqui realizar juízo de  valor, basta saber que o trabalhador é bem consciente dessa possibilidade.
           Atualmente, um trabalhador que esteja dentro da maior grupo de funcionários de uma fábrica da região, ou seja, daqueles que representam a maioria dos trabalhadores, recebem em média R$ 1.200,00 mensais, sem deduzir os descontos. Considerando que esse trabalhador é pai de família e precisa também pagar aluguel e, todos ou a maioria de nós, sabemos o custo de alimentar uma família apenas com itens básicos. Esse trabalhador diante do cenário atual, normalmente se considera com sorte em possuir vínculo formal de emprego, mesmo que insuficiente para as necessidades básicas de sua família.
            Para finalizar, proponho aos joinvilenses que leiam a matéria, conforme o link abaixo[9]onde pode ser comprovado a faixa salarial atualmente praticada e, na medida em que o empregador esteja em situação de maior liberdade negocial, não sabemos de que forma as mudanças serão benéficas ao trabalhador nas condições descritas acima.
  
Este texto foi escrito a quatro mãos assinado por: Biatriz Bittencourt de Assis e Ivan Rezende de Oliveira. Ambos acadêmicos do curso de Direito do Centro Universitário Católica de Santa Catarina, onde contam com bolsa de Pesquisa através do artigo 171 da Constituição de Santa Catarina.









     




[1] Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=mI9F73wlMQE>. Acesso em 1 de maio de 2017, às 17:00 horas.
[2] DUSSEL, Enrique. El “giro descolonizador” desde el pueblo y hacia la segunda emancipación. Disponível em: <http://biblioteca.clacso.edu.ar/ar/libros/mexico/xochimil/coloquio/Docs/Mesa4/Enrique%20Dussel%202.pdf>
[3] Disponível em: < http://www.tst.jus.br/sumulas>. Acesso em 1 de maio de 2017, às 18:00 horas.
[4]  VERLAINE, Marcos. Jornalista, analista político e assessor parlamentar do DIAP. Disponível em:  <http://www.cntm.org.br/portal/materia.asp?id_CON=15617>. Acesso em: 1 de maio de 2017, às 17:30 horas.
[5] VITAL, Antônio. Confira os principais pontos da proposta de reforma trabalhista. Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/TRABALHO-E-PREVIDENCIA/530500-CONFIRA-OS-PRINCIPAIS-PONTOS-DA-PROPOSTA-DE-REFORMA-TRABALHISTA.html >. Acesso em: 1 de maio de 2017, às 17:00 horas.
[6] PIOVESAN, Eduardo. Câmara aprova projeto da reforma trabalhista. Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/TRABALHO-E-PREVIDENCIA/531607-CAMARA-APROVA-PROJETO-DA-REFORMA-TRABALHISTA.html>. Acesso em: 1 de maio de 2017, às 16:40 horas.

[7] BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 444. É valida, em caráter excepcional, a jornada de doze horas de trabalho por trinta e seis de descanso, prevista em lei ou ajustada exclusivamente mediante acordo coletivo de trabalho ou convenção coletiva de trabalho, assegurada a remuneração em dobro dos feriados trabalhados. O empregado não tem direito ao pagamento de adicional referente ao labor prestado na décima primeira e décima segunda horas. Disponível em: <http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_401_450.html#SUM-444>. Acesso em: 1 de maio de 2017, à 20:16 horas.
[8] Disponível em: <http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_401_450.html#SUM-444> Acesso em: 1 de maio de 2017, às 20:01 horas.   
[9] FARIAS, Hassan. Principais sindicatos estão otimistas com negociações salariais em Joinville. Disponível em: <http://anoticia.clicrbs.com.br/sc/geral/noticia/2017/03/principais-sindicatos-estao-otimistas-com-negociacoes-salariais-em-joinville-9740363.html>. Acesso em: 1 de maio de 2017, às 21:30 horas.

sábado, 6 de maio de 2017

quinta-feira, 16 de março de 2017

Justiça manda governo suspender propaganda da reforma da Previdência

http://www.poder360.com.br/governo/justica-manda-governo-suspender-propaganda-pela-reforma-da-previdencia/

http://www.poder360.com.br/governo/wagner-moura-estuda-entrar-na-justica-apos-ser-criticado-em-video-do-planalto/

quinta-feira, 9 de março de 2017

Privatização do saneamento afasta Brasil de tendência mundial

Nesta segunda semana de março de 2017 o Governo Temer anunciou segunda etapa do Projeto Crescer LINK AQUI que encoraja a privatização do saneamento e da água que bebemos. Trata-se de uma tragédia social. veja o que dizem especialistas na matéria abaixo colhida do sitio:

 https://www.brasildefato.com.br/2016/09/26/para-especialistas-privatizacao-do-saneamento-afasta-brasil-de-tendencia-mundial/

Iniciativa vai na contramão da remunicipalização dos serviços, que tem sido feita por cidades como Berlim e Buenos Aires

Brasil de Fato | São Paulo (SP), 
Em 2014, Brasil possuía 95% dos domicílios com acesso a água, e somente 56% deles com coleta de esgoto / Marcello Casal/Arquivo/Agência Brasil
No mês de setembro, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou um estudo em que sistematiza dados do saneamento básico no país. Entre as conclusões, a pesquisa "Visão geral dos serviços de água e esgotamento sanitário no Brasil" aponta para uma estratégia de inserção da iniciativa privada no setor, seja por meio da constituição de Parcerias Público-Privadas (PPPs) ou mesmo de tentativas de privatização de empresas estatais.
Na apresentação do programa federal de privatizações denominado "Projeto Crescer", no início deste mês, foi anunciada a inclusão de concessões de rodovias, ferrovias, terminais portuários, mineração, energia e também saneamento. Para especialistas ouvidos pelo Brasil de Fato, a iniciativa vai na contramão de uma tendência de remunicipalização dos serviços, onde se observou experiências desagradáveis com a privatização. 
Berlin, Buenos Aires, Budapeste, La Paz, Maputo e Paris são exemplos de cidades que passaram o controle novamente à iniciativa pública, aponta o estudo, que é a primeira publicação da Rede Saneamento, constituída recentemente pelo instituto e cujo objetivo é apresentar um panorama, abrangendo diferentes dimensões, dos serviços no Brasil. 
José Silvestre, coordenador técnico do Dieese à frente da pesquisa, afirma que a política  de ajuste fiscal no âmbito federal tende a reduzir a disponibilidade de recursos para os investimentos, o que facilitaria a ampliação da participação privada como alternativa para a ampliação dos serviços.  
"O que o governo está sinalizando é que virá um processo de privatização deste setor [de saneamento]. Como se dará, isso ainda não está claro. Mas dada a conjuntura e a circunstância do ajuste fiscal, isso afetará ainda mais o processo de ampliação da cobertura de áreas que não estejam servidas seja por água potável, seja pelo serviço de esgotamento sanitário de maneira geral", disse o técnico.
O presidente não eleito Michel Temer (PMDB) demonstrou apoio aos estados que promoverem parcerias com o setor privado. O secretário executivo do "Projeto Crescer", Moreira Franco, afirmou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fará encontros com os governos estaduais para definir as alternativas para a concessão do serviço ao setor privado. Na primeira fase, os estados de Rondônia, Pará e Rio de Janeiro, que já sinalizaram interesse, devem ser contemplados.
Edson Aparecido, assessor de Saneamento da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), critica o novo papel da empresa pública.  "O BNDES deveria ser um banco de fomento, indutor do desenvolvimento econômico e social, mas terá agora a contribuição com a modelagem de privatizações como uma de suas atribuições", disse.
O leilão, no entanto, não deve prever a privatização das companhias estaduais. A entrega à iniciativa privada deverá ser de parte das operações, como o serviço de abastecimento de água e coleta de esgoto.  Segundo Edson, a complexidade das atribuições no setor dificultam a inserção do saneamento nos pacotes como o Crescer, pelo fato de que a ação depende dos estados e municípios. "O governo federal não pode definir o que será privatizado nos estados, mas apoiar essas iniciativas", disse.
"A novidade do papel do BNDES para os estados é que isso pode significar um alívio de caixa, na medida em que eles tem que honrar seus compromissos com o governo federal", complementou ele. Segundo o assessor, a tendência agora é as políticas de saneamento descolarem do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), aprovado em 2014, e que se tenha uma queda significativa dos investimentos.
Marussia Whately, coordenadora da Aliança pela Água, pondera que os municípios não podem delegar o planejamento da política do setor ao órgão regulador ou ao prestador de serviço e devem definir um órgão regulador.
"A legislação até prevê privatizações, mas tem como centro o município como o órgão que vai dar o controle social [ao setor], que vai pensar a regulação, que terá um órgão de fiscalização. Mas, na prática, não é isso que acontece", afirma.
Ela exemplifica a situação de cidades no estado de São Paulo, onde são "raras" exceções de municípios que têm suas próprias agências. "Os operados pela Sabesp acabam tendo que fazer a delegação para à agência estadual, o que acaba gerando uma série de questionamentos do quanto é possível ter uma regulação isenta, já que ela acaba sendo um órgão muito mais próximo do governo estadual do que das prefeituras".
Hoje, a participação do setor privado ainda é pequena. Ao todo são 1.513 prestadores, sendo 1.479 prestadores locais, a maioria ligados à administração realizada pela município ou por meio de autarquia. Em 2015, apenas 304 municípios eram atendidos por empresas privadas. O Tocantins é o estado com a maior presença privada na prestação do serviço, com  125 municípios, seguido por São Paulo e Mato Grosso, com 50 e 41 cidades, respectivamente. 
Apesar de as empresas privadas atuarem, na maioria dos casos, em cidades com menos de 50 mil habitantes, a população atendida é bastante expressiva, cerca de 32 milhões de pessoas. "Mas eles tem uma meta ousada de atender 40% da população brasileira até 2020. A tendência é que a vida deste setor seja realmente facilitada", lembrou o assessor da FNU. 
Os prestadores regionais, Companhias Estaduais de Saneamento Básico (Cesbs), são responsáveis por 78% de todo abastecimento de água do país e 55,1% de todo esgotamento sanitário, e são, em sua maioria, empresas de economia mista. 

Cobertura 

O estudo do Dieese trabalha com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Pnad-IBGE) que aponta que, em 2014, o Brasil possuía 95% dos domicílios com acesso a água, e somente 56% deles com coleta de esgoto.
Quando se trata de esgotamento sanitário, a cobertura média nacional dos domicílios está em um patamar abaixo dos 60%. Mesmo o acesso à água, cuja abrangência é muito maior, nas regiões Norte e Nordeste, por exemplo, o percentual é inferior a 90%. No caso do esgotamento sanitário o quadro é muito mais gritante. No Norte, o índice de cobertura é abaixo de 14%. 
Silvestre não acredita que o processo de privatização garanta a cobertura integral que, ele ponderam ainda está muito aquém do que preconiza a OMS e a ONU no que tange, principalmente, ao esgotamento. O coordenador do instituto lembra que o processo de de privatização do setor elétrico nos anos 1990 não garantiu a expansão da rede. 
"A tendência é que o fornecimento deste serviço, qualquer que seja ele, mas aqui falando de infraestruturas essenciais, eles vão paras áreas mais rentáveis. Em municípios longínquos em áreas de baixa renda, muito provavelmente, elas não terão o interesse do capital privado em áreas mais 'filé mignon'", disse.
Marussia também diferencia o aporte em investimentos e a privatização dos serviços. "Para se chegar a um bom padrão de saneamento, isso terá que ser precedido de um grande investimento em infraestrutura e não apenas em serviços", lembra. 
Segundo ela, a disparidade entre as regiões, no que se refere à cobertura, deve ser levada em conta quando se fala em concessões à iniciativa privada. "Não tem como prestar serviço por não ter nenhuma estrutura para isso. Nem água nem esgoto se teletransporta. estamos falando em investimentos para se construir rede, que é caro, perfura a cidade", disse. 
O que acho importante é que temos uma divisão entre investimento e serviço. Se você fala que vai privatizar o serviço de água em São Paulo, mas já tem um investimento de anos, a empresa entraria apenas com o serviço. Mas em algumas cidades não há o serviço para prestar e é necessário fazer toda a infraestrutura", pondera.
Em relação à água, Marussia questiona a pressão de empresas ligadas à produção de bebidas, como a Nestlé e Coca-Cola. "Tem um questionamento cada vez maior de como eles se posicionam, o quanto elas impactam o local que elas estão explorando. E os estados, como um todo, devem que pensar as regras dos recursos artificiais não são as mesmas para os recursos subterrâneos", disse.
"Nós, como sociedade, temos que começar a se interessar por esse recurso e pensar em uma regulamentação mais adequada pensando a transparência, direito à água e não comprometer o uso das futuras gerações", completou.  
Em janeiro de 2016, a ONU reconheceu o saneamento básico como um direito humano.