quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Como escolher um candidato a vereador entre tantos nomes nestas eleições?

"A Notícia" falou com especialistas e fez um guia para você ter mais informações sobre os concorrentes
Hassan Farias
“Você se lembra em quem votou para vereador na última eleição?”. A pergunta pode até parecer repetitiva, mas a resposta pode evidenciar a falta de preparo do eleitor na hora de escolher os representantes da população no Legislativo. O parlamentar é uma figura importante no desenvolvimento do município pois cabe a ele propôr e votar leis que melhorem a cidade, além de fiscalizar as ações do Executivo. EmJoinville, são 400 candidatos na eleição deste ano e o desafio é saber o que levar em consideração na hora de depositar a confiança do voto em um deles, que irá compor a bancada de 19 vereadores a partir de janeiro de 2017.

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O doutor em ciência política Jeison Giovani Heiler explica que a decisão de em quem votar tem que passar pela busca do maior número de informações possíveis sobre o candidato. O histórico político e de envolvimento com a sociedade civil são pontos importantes a serem observados. Se o candidato tiver um passado político é necessária também uma pesquisa sobre as ações dele enquanto ocupava o cargo. O especialista lembra que o gasto com diárias e a quantidade de faltas de um vereador nas sessões, por exemplo, podem ser consultados no portal da Câmara na internet, um recurso extra no momento da escolha.

– A forma que me parece mais razoável de decidir é olhando o histórico. Cada vez mais, o eleitor vai tomar sua decisão em fatos e menos com base nas promessas. Mas também é importante que o eleitor veja a Lei Orgânica do município, que disciplina quais as competências e atribuições de um vereador, e compare com as propostas para ver se ele não está agindo de má fé ao pregar o que não pode cumprir – explica.
Com a redução do tempo de campanha e a ausência dos vereadores nos horários de propaganda eleitoral – eles aparecem apenas em inserções de 30 segundos durante a programação – ficou também mais difícil para o eleitor saber quem são os candidatos. Heiler sugere que o eleitor procure se informar sobre quem está concorrendo as vagas no Legislativo e não espere para buscar o histórico em cima da hora.

– Se o eleitor começar a prestar atenção e melhorar o processo de escolha, a gente melhora também a qualidade da democracia e da nossa representação – aponta.

http://anoticia.clicrbs.com.br/sc/politica/noticia/2016/09/como-escolher-um-candidato-a-vereador-entre-tantos-nomes-nestas-eleicoes-7382926.html

domingo, 11 de setembro de 2016

A falta que faz o saber indígena

Até a ONU, às voltas com tantos problemas que envolvem países inteiros, está preocupada com as ameaças aos povos indígenas no Brasil, que considera mais graves que os dos anos 1980 – diz um informe especial publicado no primeiro dia deste mês. Causas: demarcação de terras estagnada, enfraquecimento da Fundação Nacional do Índio (Funai) pelos últimos governos e iniciativas em andamento na atual administração que podem agravar o panorama. E os índios – que ocuparam todo o território nacional – hoje não chegam a 1 milhão de pessoas (0,47% do total brasileiro), segundo o IBGE : eram 24 povos com 896.917 pessoas em 2010, das quais 324 mil vivendo em cidades e 572.083 em áreas rurais.
A relatora da ONU para os direitos dos povos indígenas, Victoria Tauli-Corpuz, que esteve por aqui em março, acha que “hoje os povos indígenas encaram riscos mais profundos que no momento da adoção da Constituição, em 1988”. Porque, como constatou ela, o atual governo deixava pendentes 20 demarcações de terras – nos últimos oito anos não houve avanços. Os assassinatos de líderes indígenas passaram de 92 em 2007 a 138 em 2014 (Estado, 2/9). E tudo pode piorar com as crises econômica e política. E com a decisão de extinguir órgãos de defesa dos direitos humanos, além das ameaças de reverter ratificações e declarações de terras indígenas, como Cachoeira Seca (PA), Piaçaguera (SP) e Pequizal do Naruvotu (MT). Para a ONU, a prioridade deve ser a conclusão do processo de demarcação, “abandonado há anos”. O abandono tem incentivado o aumento da violência, principalmente entre os guaranis-caiovás e terenas (MS), os araras e paracanãs (PA) e os caapores (MA).
As dificuldades neste momento são corroboradas por vários noticiários em jornais e televisões. Um deles, aFolha de S.Paulo (4/9), relata a situação de uma família de índios da região do Xingu que passou a receber Bolsa Família (R$ 300 mensais). Eles se mudaram para a cidade e logo concluíram que a importância recebida era insuficiente para o sustento familiar, comprar fogões velhos, pagar aluguel da casa mais do que modesta. A situação só não é pior porque o filho adolescente trabalha numa borracharia.
Há 105 mil famílias indígenas recebendo Bolsa Família, 76 mil incluídas nas áreas rurais e quase 30 mil em áreas urbanas. R$ 182,31 é o benefício médio. Diz o noticiário que as consequências são “devastadoras” – o que traz imediatamente à memória a notícia de estudo que há mais de 30 anos vinha sendo desenvolvido por pesquisadores da então Escola Paulista de Medicina. Eles comparavam o estado de saúde de índios que moravam isolados em suas aldeias com o de outros que haviam emigrado para as cidades. Entre os primeiros – como registravam suas fichas semestrais – não havia um único caso de hipertensão ou de doenças coronarianas, AVCs, diabetes, problemas pulmonares e outros; já entre os que trabalhavam como boias-frias perto de Bauru (SP), todos esses problemas estavam presentes e ainda os casos de invalidez ou morte eram frequentes.
O autor destas linhas decidiu acompanhar a equipe médica ao Parque Indígena do Xingu – na época, inteiramente isolado - e, ali, os exames corporais e de laboratório por que passava cada um dos índios que já tinham fichas de exames anteriores. Mais uma vez, não havia um só caso de doença entre populações de índios do parque, comparando com migrados. E o jornalista ficou impressionado, não apenas com as constatações médicas, mas com o modo de viver desses índios xinguanos: a não delegação de poder (o chefe não tem poder, não dá ordens, é o grande líder e conselheiro, mas não manda em ninguém; se tentasse, os outros se dobrariam de rir); homem não bate em mulher; todas as pessoas são livres e iguais; o homem planta e colhe, pesca, busca ervas medicinais e alimentícias; a mulher cozinha e cuida dos filhos – mas sem receber ordens, etc. O fascínio provocado por esse testemunho levou o jornalista a produzir desde a década de 1980 várias séries para a televisão, que levaram a surpreendentes índices de audiência.
Essa possibilidade de convivência social com outros fundamentos levava à pergunta: seria possível voltarmos a viver como índios? Certamente, não. Só discutir a hipótese provocava espanto ou desdém. Mas provavelmente seria possível incorporar muitas de suas práticas sociais e de relacionamentos.
Há algumas décadas, o médico e professor da Universidade Federal de São Paulo Douglas Rodrigues, que estava na mencionada primeira viagem ao Xingu, já dizia que a hipertensão e a diabetes começavam a ser mais presentes, dadas as mudanças entre índios que antes viviam isolados, por causa dos contatos com habitantes de cidades e pela mudança nas dietas. A documentação para a TV comprovou a tese.
O tempo só acentuou as mudanças – e as análises. E tentativas de socorrer índios com programas sociais como o Bolsa Família e outros só alterou a rotina, acentuou a dependência de recursos financeiros, de programas assistenciais e médicos, necessidade de roupas, calçados, alimentos, etc.
O Estado brasileiro não tem política adequada para os grupos indígenas. Disfarçadamente, sem enunciá-la, sobrepõe uma política de aculturação, para substituir os fundamentos das culturas originárias – que criavam os modos de viver – e implantar a cultura branca. Os resultados são penosos, seja com a migração para cidades, seja com as transformações nas aldeias. Em lugar de aprendermos com eles alguns fundamentos de seus modos de viver originários, nós os levamos a absorver nossos modos de ser, a deixar de ser índios, sem terem vantagens, só prejuízos.
Na crise que vivemos, muitos livros, como o recém-publicado A Guerra da Água, de Harald Welzer, preveem que “caos e violência” causarão a próxima guerra mundial, em disputa pela água e outros recursos naturais. Sentiremos falta dos conhecimentos indígenas.
*jornalista e-mail: wlrnovaes@uol.com.br

sábado, 2 de julho de 2016

Pesquisa da Ciência Política mostra que impacto de “puxadores de votos” é pequeno

Apesar da noção muito difundida na opinião pública sobre o chamado “efeito Tiririca” (eleição de candidatos com votação inexpressiva devido à transferência de votos intra-lista dos partidos e coligações), o impacto dos “puxadores de votos” é pequeno. Esta é a conclusão de um estudo recém-publicado pelo Observatório das Elites Políticas e Sociais do Brasil, da Universidade Federal do Paraná.
O cientista político e doutorando Márcio Carlomagno analisou seis eleições (vereadores em 2008 e 2012, deputados estaduais em 2010 e 2014 e deputados federais nos mesmos anos), comparando os resultados obtidos no atual sistema com as posições finais na votação nominal que os candidatos ficaram em cada disputa, em todos os municípios e estados do Brasil. A conclusão do autor é que apenas entre 8% e 13%, dependendo da eleição e do ano, dos que foram eleitos não foram, também, os mais votados, dentro do número de vagas disponível em cada disputa. Ou seja, de 87% a 92% dos eleitos foram, também, os mais votados em suas disputas.
O pesquisador também calculou as distâncias que este pequeno grupo beneficiado pela votação do partido/coligação ficou dos mais votados. Carlomagno mostra que, por exemplo, para o caso dos vereadores, em 2012, apenas 179 entre 57.251 vereadores eleitos naquele ano ficaram em posição abaixo do dobro do número de cadeiras em disputa. Levando em consideração o triplo do número de vagas, são apenas três casos, em mais de 50 mil eleitos.
O cientista político defende que o chamado “efeito Tiririca” é algo residual. “É uma exceção, muito rara, que ganha visibilidade na mídia, mas não é um problema verdadeiro do sistema eleitoral brasileiro”, argumenta Carlomagno. O coordenador do Observatório das Elites Políticas e professor da pós-graduação em Ciência Política da UFPR, Adriano Codato, enfatiza que este tipo de publicação, mais curta e voltada para um público mais amplo, cumpre bem o papel de divulgação científica das pesquisas em ciência política.
Para conferir a pesquisa completa, clique aqui.
http://www.ufpr.br/portalufpr/blog/noticias/pesquisa-da-ciencia-politica-mostra-que-impacto-de-puxadores-de-votos-e-pequeno/