quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Juiz de Rio do Sul indefere registro de 17 candidatos analfabetos

31.07.2012 às 18h22


O juiz da 102ª Zona Eleitoral (Rio do Sul), Geomir Roland Paul, indeferiu o registro de 17 candidatos a vereador da região por serem considerados analfabetos. Essa condição foi comprovada por pareceres técnicos firmados por professores mestres e especialistas em alfabetização, com base em testes realizados pela Universidade do Alto Vale (Unidavi). Os candidatos, que não tiveram os nomes revelados para evitar constrangimentos, podem recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina.
Os testes foram determinados pelo magistrado após requerimento do promotor da 102ª ZE, Eduardo Chinato Ribeiro. Ao todo, 84 candidatos dos municípios de Aurora, Agronômica, Rio do Oeste, Laurentino, Lontras e Presidente Nereu foram convocados para comprovarem a sua alfabetização, pois os documentos apresentados com os pedidos de registro deixaram dúvidas quanto a essa condição, que é indispensável para ocupar o cargo de vereador.
A Unidavi aplicou questões utilizadas pelo Ministério da Educação na "Provinha Brasil", que confere a alfabetização de crianças. Os pareceres técnicos apontaram que, dos 76 candidatos que fizeram os testes, 59 foram considerados aptos e 17 inaptos (quase 22%).

Fonte: Por Elstor C. Werle

Assessoria de Imprensa do TRESC

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Deputada Estadual Cidinha Campos fala indignada sobre candidatura de Parlamentar ao Tribunal de Contas

Deputada Estadual Cidinha Campos fala indignada 

sobre candidatura de Parlamentar ao Tribunal de 

Contas





Subdesenvolvimento e revolução


Subdesenvolvimento e revolução

O Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA), da Universidade Federal de Santa Catarina,
lança no mercado editorial a coleção Pátria Grande, Biblioteca do Pensamento Crítico LatinoAmericano, que deverá reunir 40 volumes, todos editados pela Editora Insular, de
Florianópolis.

A intenção é divulgar autores e obras clássicas das ciências sociais na América Latina que
deram vida ao que entrou para a história como “pensamento crítico latino-americano”. As
obras escolhidas para compor esta Biblioteca são inéditas ou foram divulgadas apenas
marginalmente no Brasil.

Com esse trabalho, o IELA inaugura mais um a frente de ação. Não apenas no debate
sistemático das temáticas latino-americanas, como faz anualmente com as Jornadas
Bolivarianas, mas o estudo permanente de pensadores praticamente desconhecidos nas
universidades brasileiras. A coleção, ao ser concretizada em livro, eterniza, em português,
obras de fundamental importância para se compreender a América Latina.

O primeiro volume da coleção já está nas livrarias: o livro Subdesenvolvimento e revolução,
do mineiro Ruy Mauro Marini (1932-1997), publicado  originalmente no México em 1969 e
que ganhou sucessivas edições em muitos países sem, contudo, jamais ter sido publicada em
nosso país. A apresentação da obra, escrita por Nildo Ouriques, está disponível no site da
Editora Insular - aqui

De acordo com informações da editora, os próximos volumes da coleção são  Capitalismo
dependente latino-americano, de Vania Bambirra, e  A mais-valia ideológica, de Ludovico
Silva.




Ficha técnica
Título: Subdesenvolvimento e revolução
Autor: Ruy Mauro Marini
Tradutor: Fernando Correa Prado e Marina Machado Gouvêa
Editora: Insular
Ano da publicação: 2012
Páginas: 272
Preço: R$ 40,00
02/07/2012
Fonte:
http://literaturamarxista.wordpress.com/2012/07/02/subdesenvolvimento-e-revolucao/

domingo, 29 de julho de 2012

Participação Política


A relação dos jovens e a política - Entrevista O Correio do Povo


Em Jaraguá do Sul, 106.020 mil eleitores estão aptos para comparecer às urnas nas próximas eleições municipais de outubro. Do total, apenas 1,43% (1.515) são jovens entre 16 e 17 anos, que votarão pela primeira vez mesmo sem a obrigação legal de participar. Na opinião do mestre em Sociologia Política, Jeison Giovani Heiler, o baixo interesse entre os jovens nos assuntos públicos é um reflexo da apatia política vivida por toda a sociedade, não sendo característica exclusiva dessa faixa etária. Nessa entrevista ao portal do jornal O Correio do Povo o especialista comenta sobre a relação entre os jovens e a política.

 O Correio do Povo - Por que a maioria dos jovens não tem tanto interesse em política? Ou isso acontece não apenas com os jovens, mas com toda a população?
Jeison Giovani Heiler - A apatia política, ou ausência de participação da população é um fenômeno que tem chamado a atenção de especialistas há algum tempo. Entre os especialistas, o índice de participação em determinadas sociedades recebe o nome de capital social. Assim, tanto maior será o capital social quanto mais politizada, mais tempo livre, trabalho voluntário, participação em grupos, organizações, lazer, entre outros, tiver uma população. Há estudos recentes identificando níveis altos de capital social com bem estar e felicidade da população. Contudo, entre os diversos problemas, o fato é que em um regime de trabalho de 44 horas semanais é realmente muito difícil pensar em níveis de participação coletiva que não sejam meramente pontuais.
 Normalmente se atribui a ausência de participação na virtual separação construída entre a vida pública e a vida privada. A vida privada é recheada de estímulos, o homem moderno é convidado a viver toda a potencialidade de sua existência no apertado limite de sua vida privada, normalmente traduzida em atividades de consumo. Não por acaso os shoppings centers estão lotados e os espaços públicos esvaziados. Por outro lado a vida pública é desconstruída. Nenhuma virtude é evidenciada na atividade pública, que além de carecer de atrativos que possam competir com a vida privada individualista, ainda recebe os golpes trazidos com escândalos e envolvimento de figuras públicas com episódios de corrupção.
 Mas, além disso, o próprio modelo de democracia representativa, na essência, não foi construído para apresentar altas taxas de participação. Quando a democracia, tal como a conhecemos foi idealizada, partiu-se da concepção de um método de alternância de determinados grupos no poder, por intermédio da captação do voto, apenas isso. Na verdade, na sua formulação, a democracia representativa buscava relegar a participação política ao mínimo tolerável. Esse desenho institucional era necessário para não inchar o Estado com excessivas reivindicações populares. Atualmente a manifestação desse ideário é sentida no sucateamento da educação por exemplo.
 Ou seja, pode-se dizer que, infelizmente, a apatia política não é característica exclusiva da juventude brasileira. O que ocorre é que se há uma ausência de interesse de participação na coisa pública, naturalmente a população dessa faixa etária reflete esse comportamento.
 OCP - Acha que a imagem que existe do político hoje - como sendo sempre corrupto, ladrão - desestimula a participação dos jovens? A política estaria desacreditada? Existe uma sensação de “impotência”?
 JGH - A imagem negativa que se construiu do “político” como categoria sociológica, ao longo do tempo, reflete a desconstrução da vida pública como algo desejável. A política, como manifestação da vida pública, efetivamente está desacreditada, a imagem de corrupto, ladrão, interesseiro, colou, e a figura do político está entre as menos desejáveis quando se compara com outras profissões, por exemplo. Este sentimento evidentemente funciona como desestímulo para a participação política.
OCP - Que recomendações você daria a um jovem que vai fazer seu título eleitoral e votar pela primeira vez? (Seja por vontade própria, aos 16 ou 17, ou depois aos 18).
 JGH - Ao jovem, diante desse cenário desencantador que a vida pública parece oferecer, o recado a ser dado é de que a participação política nas urnas a partir dos 16 anos foi conquista ao custo de muito suor, sangue, vidas perdidas e só foi possível depois do processo de reabertura democrática, ocorrido sob a voz de milhares de jovens que gritavam pelas diretas já, e que culminou com a Constituição de 1988. Além disso, a participação política, principalmente da juventude, não pode de forma alguma resumir-se ao voto. É necessário ocupar os espaços públicos, é necessário recolonizar a vida pública.
 Em termos mais simples, o jovem pode até não gostar de política, mas é preciso que saiba que figuras como Demóstenes Torres, Maluf, Collor e outras velhas raposas políticas gostam. E que se o espaço público não for ocupado pelas pessoas honestas, certamente deixará figuras como essas velhas raposas à vontade para fazer o velho jogo sujo.
 OCP - Quanto mais cedo os jovens se interessarem em participar das eleições melhor? Ou não? Por quê?
 JGH - Claro que sim. A juventude é a força nova que tem todos os horizontes escancarados. O novo político só pode ser moldado a partir da participação política da juventude. Os jovens desse país trazem sobre os ombros a responsabilidade de construir uma nova cultura política. De nada adianta reclamar da corrupção se não houver envolvimento político para dar à política a função que sempre possuiu: de regular e organizar o exercício do poder com vistas à melhoria da vida em sociedade. Se todos concordam que a política está comprometida até a raiz com o problema da corrupção, devem concordar que este não é um problema que vai se resolver espontaneamente. É preciso agir politicamente, e agir politicamente é participar da vida pública. Quando mais tarde isso começar a ocorrer mais difícil vai ser para reverter-se o atual estado de coisas.
 Em outros termos, a corrupção é alimentada, sobretudo pela renúncia à cidadania que assinamos a cada vez que abrimos mão de participar de uma simples reunião de bairro ou pelo desinteresse pelas matérias políticas veiculadas pela imprensa. Em uma palavra: é alimentada pela apatia política. O que é paradoxal nesse estado de coisas é que o afastamento dos cidadãos das questões políticas se dá, em grande parte, justamente em decorrência do mau uso do poder, que descamba em episódios de corrupção que se tornam a cada dia mais corriqueiros. Assim, ao invés de lutarmos pela reocupação destes espaços vazios na política, lançamo-nos à vida privada, em busca de uma felicidade individual geralmente identificada com ter dinheiro. Alimentamos assim o monstro que nos devorará a todos. Este monstro alimenta-se da renúncia à vida pública que criamos com nossa apatia política.
Verônica Lemus
Repórter - veronica@ocorreiodopovo.com.br