sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Pesos pesados do PIB acertaram com Levy condições para apoiar o governo

Reunião foi na 4ª feira, em São Paulo
Durante encontro, ligaram para Dilma
3 condições foram apresentadas:
a) manter o grau de investimento do país
b) buscar meta de 0,7% de superávit em 2016
c) cortar subsídios e programas do governo
Um grupo com 9 dos mais importantes empresários brasileiros recebeu Joaquim Levy na 4ª feira (2.set.2015) à noite em São Paulo. No encontro reservado, quase secreto, apresentaram as condições para continuar a apoiar o governo, a gestão da economia e a própria permanência de Levy no cargo de ministro da Fazenda.
A agenda tem três pontos: 1) fazer todos os esforços para que o Brasil mantenha o grau de investimento dado por agências de classificação de risco; 2) buscar um superávit de 0,7% do PIB na execução das contas de 2016 e 3) promover um forte corte em subsídios e programas governamentais para atingir essa meta.
Estavam representados na reunião de 4ª feira, pelo menos, 8 dos 10 maiores grupos empresariais nacionais. Por volta de 23h30, decidiu-se que era importante, na frente de Joaquim Levy, telefonar para a presidente Dilma Rousseff e relatar o que estava sendo tratado. A missão coube a um dos presentes, um empresário do Rio do de Janeiro.
O telefonema foi realizado, Dilma atendeu e foi informada sobre os temas em discussão.
Todos no encontro estavam preocupados com a proposta de Orçamento para 2016 contendo um déficit de 0,34% do PIB. O empresário ao telefone disse a Dilma que era vital para o país perseguir e obter a meta de superávit de 0,7% em 2016.
Ficou claro na conversa que os empresários brasileiros davam apoio à posição de Joaquim Levy, considerado mais liberal e confiável do que os ministros Nelson Barbosa (Planejamento) e Aloizio Mercadante (Casa Civil).
Os empresários –e isso foi dito a Dilma– avaliam que a perda do grau de investimento terá efeitos catastróficos para o país. Haverá aumento do custo para captar empréstimos. A recessão se aprofundará, produzindo mais desemprego.
A situação política retroalimentará a crise. O país poderá então entrar em território desconhecido e com risco de esgarçamento das instituições.
Na 5ª feira (3.set.2015) pela manhã, o dia seguinte ao encontro de empresários em São Paulo, Dilma chamou Joaquim Levy para uma conversa pessoal em Brasília. Ao final, a presidente ordenou a vários ministros que dessem entrevistas dizendo que o ministro da Fazenda estava mantido no cargo.
A realidade é que a permanência de Levy está diretamente relacionada à capacidade de o governo atender aos 3 pedidos dos empresários reunidos na última 4ª feira em São Paulo.
Durante a reunião com os empresários, Levy chegou a falar sobre a dificuldade de conseguir o superávit de 0,7% apenas cortando gastos –porque há muitas resistências do governo em eliminar programas e subsídios.
Levy perguntou aos presentes: como cortar o Orçamento se existem uma infinidade de despesas obrigatórias e muita pressão de setores do governo para manter certos programas sociais? Foi quando um dos empresários respondeu de maneira bem direta: “Tem de cortar porque não tem dinheiro”.
Os empresários reagiram de maneira difusa à sugestão de criar algum tipo de imposto.
Alguns até disseram ser possível uma nova taxa, na condição de ser temporária. Outros foram mais refratários. “Temporário no Brasil quase sempre vira permanente”, disse um dos presentes. Todos ao final cobraram primeiro os cortes mais duros antes que impostos fossem criados.
Números foram apresentados sobre programas que poderiam ser cortados. Até o relativamente novo vale cultura foi citado como penduricalho que drena recursos do governo e poderia ser extinto. Não houve consenso sobre quais seriam exatamente os cortes.
Dentro de uma semana, o grupo pretende ter uma minuta com sugestões para promover um enxugamento nas despesas da proposta de Orçamento de 2016.
Joaquim Levy em alguns momentos soltou frases enigmáticas. Por exemplo, ao dizer que o cenário estava mudando muito rapidamente. “O futuro é incerto”, disse o ministro. “Será que é com o Temer?”.
A citação a Michel Temer foi interpretada por alguns como uma espécie de incerteza de Levy sobre as condições de o atual vice-presidente da República assumir e melhorar a conjuntura do país.
O ministro da Fazenda disse aos presentes que a presidente da República estava ciente de que o quadro está “mais grave”.
Os empresários saíram do encontro de 4ª feira já na madrugada de 5ª. Alguns só deixaram o local por volta das 2h da madrugada do dia 3.set.2015.
Apesar da seriedade e da dramaticidade que os empresários empregaram às conversas de 4ª feira, a embocadura geral do grupo é a de tentar  ajudar a tirar o país da atual situação de crise política e econômica. É desse mesmo grupo a ideia de fazer uma “lei de responsabilidade gerencial'' para empresas estatais –tema encampado pelos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros.
“O mais importante é fazer o que nós pudermos para ajudar. Todos estão comprometidos e vamos ajudar nessa direção'', diz Josué Gomes da Silva, daCoteminas, um dos que participou da reunião de 4ª feira.
Josué, bem-humorado, gosta de dizer que a Brasília se aplica uma frase cunhada por Winston Churchill (1874-1965) sobre “fazer a coisa certa depois de se esgotarem todas as demais alternativas''. O empresário da Coteminas brinca: “Às vezes, a lista de 'alternativas' em Brasília é muito longa''.
No final do encontro, segundo apurou o Blog, os presentes não se mostraram seguros de que o governo poderá cumprir as 3 condições apresentadas a Dilma Rousseff. Mas todos têm duas certezas.
Primeiro, que sem o superávit de 0,7% do PIB em 2016 o país está fadado a perder o grau de investimento. Segundo, que se nos próximos 1 ou 2 meses não ficar claro qual será o rumo da economia, a sustentação a Joaquim Levy vai se liquefazer e o ministro da Fazenda poderá deixar o cargo.

Fonte: http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br/2015/09/04/pesos-pesados-do-pib-acertaram-com-levy-condicoes-para-apoiar-o-governo/

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Dezenas de refugiados são achados mortos em um caminhão na Áustria

Dezenas de refugiados foram encontrados mortos nesta quinta-feira dentro de um caminhão com placa húngara, estacionado no leste da Áustria, perto da fronteira com a Hungria, conforme relatado pela polícia do país. O diretor da polícia, Hans Peter Doskozil, disse em uma coletiva de imprensa que foram encontrados entre 20 e 50 corpos no compartimento de carga de um caminhão de 7,5 toneladas. As primeiras informações indicam que os refugiados teriam morrido asfixiados.
Segundo o jornal Krone, o caminhão estava estacionado no acostamento da rodovia A4, entre o lago Neusiedl e a cidade de Parndorf, na província de Burgenland. O corpos foram encontrados por funcionários do posto de serviço da rodovia, embora as autoridades acreditem que estavam ali há muito tempo. "Podemos confirmar que há 20 mortos, mas esse número pode subir para 40 ou 50 pessoas", destacou um porta-voz da polícia.
A ministra do Interior austríaca, Johanna Mikl-Leiner, foi enfática ao descrever o ocorrido como um "dia sombrio" e disse que a tragédia "afeta a todos". "Os traficantes de pessoas são criminosos. E agora quem ainda continua pensando que pessoas que ajudam a fugir são gentis, isso não vai ajudá-los", acrescentou. A ministra do Interior também enfatizou que o incidente demonstra "os métodos desprezíveis da máfia de traficantes em toda a sua feiura na Áustria". E defendeu "tolerância zero" para os traficantes de pessoas que "deveriam estar atrás das grades". "É um sinal para que a Europa possa agir o mais rápido possível", concluiu.

Dezenas de milhares de refugiados, a maioria do Oriente Médio, tentam chegar à União Europeia para escapar da guerra e da miséria. A Sérvia e a Macedônia são dois Estados-chave no trânsito dessas pessoas em direção ao bloco. Na quarta-feira, pelo menos 50 pessoas morreram asfixiadas dentro de uma barca que atravessava o Mediterrâneo e partiu da Líbia rumo à Itália. Os mortos viajavam no porão do navio, a área na qual viajam os que dispõem de menos dinheiro para pagar pelas passagens. As altas temperaturas e a superlotação transformam o lugar em um dos mais perigosos a bordo.
Na terça-feira, a polícia interceptou três caminhões na cidade de Bruck an der Leitha, segundo o jornal Krone. Em um deles viajavam 34 imigrantes e refugiados, incluindo 10 crianças, que haviam cruzado a fronteira. Os sobreviventes relataram que "quase não tinham ar para respirar" no interior do caminhão. Apesar de seus apelos ao motorista, este os ignorou e continuou dirigindo sem parar da fronteira da Sérvia até a Áustria, atravessando a Hungria.

Merkel apela ao “espírito europeu de solidariedade"

A chanceler alemã, Angela Merkel, mostrou-se "chocada" com a notícia. "Essa tragédia nos convoca a enfrentar a questão da imigração de forma rápida e com o espírito europeu de solidariedade", acrescentou a chefe do Governo alemão. Já a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, afirmou que a tragédia na Áustria é um lembrete dos desafios enfrentados pela UE.
Muito mais contundente foi o chefe de gabinete de Viktor Orban, o primeiro-ministro da Hungria, país onde o caminhão foi emplacado, que criticou fortemente o papel da União Europeia na atual crise migratória. "Os acontecimentos dos últimos dias mostram que [a UE] é incapaz de controlar suas fronteiras", disse Janos Lazar minutos depois de ser informado sobre a tragédia.

Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/08/27/internacional/1440675263_469627.html

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

silêncios

por detrás
da retina
brilha
um olhar
que guardei
para tu
saberei
leva-lo
pelas ruas cruas
e sem cerimônia
largando
farpas
agudas ou tenazes
desviamo-nos
quase sempre
e mesmo que me acerte
profundo e fundo
por entre
os ossos de meu
tórax
e que chegue perto
do colibri pulsante
que guardo
em meu peito
saberei
leva-lo
altivo e puro
brilhando
com a última chama
trêmula, febril
e patética
haverás de rir
 chorar
ou lamuriar-te
por provocar
cores fora de moda
e notas dissonantes
enquando todos cantam
rock n roll
em velhas
estações de trem