quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Lançamento do Livro de poesias Escombros


Escombros I

Escombros é o que o título supõe: um ajuntamento meio aleatório e desconexo [mas nem tanto] das experiências de que somos feitos. De que sou feito? Esse acúmulo aleatório, escória de dias passados. Em um tempo em que a meritocracia é festejada como arquétipo politico cabe denunciar o óbvio: como dissera um jovem alemão naquele "18 de Brumário de Luis Bonaparte" -  "Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha, e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado, a tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos". 

Escombros II

Em algum dia dos meus treze ou quatorze anos meu pai me levou consigo para ajudá-lo no oficio de pedreiro. Com dezessete anos um argentino chamado Timóteo bateu palmas em uma tarde de minha casa arrancando-me definitivamente da adolescência. Ali começaria a vida adulta. A primeira profissão registrada em meus documentos. Servente de pedreiro. A primeira missão recebida consistia na inútil tarefa de arrancar quadrados de grama com as unhas e transporta-los para um terreno vizinho ao local que abrigaria a primeira franquia do MCDonalds em Joinville. Nunca frequentei a loja depois de inaugurada. Nunca provei um Mcdiafeliz TM. A experiência de peão de obras, contudo, foi muito boa. A relação de camaradagem entre a peãozada impregnou-me com uma forte esperança a respeito da natureza humana. Então escombros são também, literalmente, as ruínas de uma juventude destroçada, e das marcas que ficaram destes dias. A experiência material indelével de dias ásperos divididos entre andaimes, betoneiras e da vivacidade de honestos companheiros.

Escombros III

Não sou um escritor ou um poeta profissional. Nem tal leitor, portanto. Me alimentei da poesia catada ao largo. Esta disponível à grande massa e nos livros didáticos das bibliotecas publicas escolares. Dos ruínas literários em que emerjo há, entretanto algumas peças marcantes. Alvarez de Azevedo e Augusto dos Anjos talvez tenham sido os primeiros. Gilberto Mendonça Telles veio depois por acaso, catato em um sebo barato. A paixão por Drummond me fez garimpar de maneira contumaz todo o disponível no O Sebo de Joinville e no Sebo de Jaraguá. Depois vieram Leminski, Bukowski. Mais tarde descobri a poesia de Adélia Prado. Até me enveredar por Leprevost e outros tantos marginais. Na literatura li os clássicos, e até hoje trago entre os preferidos Machado de Assis, que está na epígrafe, Guimarães Rosa, Saramago, Cortazar, Kafka e o fabuloso Gabo. Uma das obras mais marcantes, sem dúvida foi J.D, Salinger e seu deslocado Holden Caufield. Nenhum destes, dentre tantos outros, pode passar incólume ao veredicto de culpados por esta peça de escombros literários.



segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Tese de Doutorado defendida em 01/02/2018: O FENÔMENO DA REITERAÇÃO NO FINANCIAMENTO ELEITORAL BRASILEIRO - Perfil de Financiadores e o Impacto no Desempenho eleitoral empresarial

Resumo da Tese:

Adotando a perspectiva dos financiadores empresariais, esta tese trata do tema de financiamento eleitoral inserindo uma nova variável de controle: a reiteração destes financiadores no tempo. O objetivo geral é investigar as motivações dos financiadores adotando como sistemática de controle identificar se as doações eleitorais de empresas apresentam interação entre diferentes eleições. Em outras palavras, se inquere quais os tipos de vínculos que se estabelecem entre financiador, partidos e candidatos e se estes vínculos subsistem entre diferentes ciclos eleitorais.

Basicamente a pesquisa se articulou em torno da seguinte problemática: a) Qual a importância da reiteração no sistema de financiamento eleitoral privado (empresarial) brasileiro? b) Qual a população de financiadores reiterados no universo total de empresas que opta por se engajar financeiramente no processo eleitoral? c)Quais os fatores determinantes para a ocorrência da reiteração ou desistência no financiamento eleitoral? d) A reiteração no financiamento entre diferentes ciclos tem impacto positivo no desempenho eleitoral do financiador? e) Qual o perfil do financiador eleitoral brasileiro? f) Determinados perfis de financiador são mais bem-sucedidos em relação ao resultado eleitoral? As hipóteses da pesquisa se desdobram em dois grupos. i) Hipóteses sobre os fatores que explicam os padrões de reiteração; H1- O desempenho do(s) candidato(s) patrocinado(s) pelo financiador relaciona-se com a manutenção do financiamento eleitoral no ciclo seguinte. Controlando-se outras variáveis como setor econômico e ideologia uma outra hipótese subjacente a este modelo é a de que os valores de financiamento também possam explicar a reiteração ou desistência. Sustentando-se que doações mais expressivas levam a reiteração no financiamento, ao passo que doações menores favoreçam a desistência dado o menor engajamento que representariam. ii)Hipóteses sobre o impacto da reiteração. H2 - Financiadores reiterados acumulam expertise e seus patrocinados possuem maior êxito eleitoral do que novatos em matéria de financiamento eleitoral.  H3: É possível identificar perfis de financiadores vinculados e estratégicos no que diz respeito ao engajamento eleitoral sustentando-se a hipótese de que financiadores de perfis estratégicos teriam melhor desempenho eleitoral em relação a outros perfis. Para atender a este conjunto de objetivos em termos metodológicos o desenho de pesquisa envolveu o desenvolvimento de três distintos modelos de análise de regressão (logística bivariada e linear multivariada)  tomando por base as declarações de gastos dos partidos e candidatos para o TSE nas eleições de 2010 e 2014.  Por esta metodologia o financiamento eleitoral esteve presente em todos os modelos. Como variável explicativa, da reiteração, no primeiro caso, e do resultado eleitoral no segundo e terceiro modelos. Entre os resultados alcançados demonstrou-se como o fenômeno da reiteração é importante para compreensão do sistema de financiamento eleitoral brasileiro como um todo. Identificando-o como um mercado concentrado em poucos e reiterados financiadores atuando de modo articulado entre motivações estratégicas na sua maior parte, mas também, com a presença de financiadores com motivações ideológicas de longo prazo.



Palavras-chave: Financiamento Eleitoral; Eleições; Democracia; Reiteração; Empresariado; Perfil Financiador



Agradeço imensamente a estas pessoinhas: Joice (Vida); meu filho Lenini, Beatriz (Mae), minha filha Marina e Meu Pai Sabiá.


No final aquela confra com os Profes!


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Trinta e sete. 37#

hoje cheguei neste ponto
a vida é um conto
uma tragédia
um romance burguês
uma miséria
repentinos e inesperados
desassossegos
estive cego
estive fora?
por uns tempos
alheio
ao que se passava
em terra pátria
fui um pária?
estrangeiro
demorando-se a voltar?

a tradição das gerações passadas
oprime
como um        [martelo
o cérebro dos
                      [desavisados
alertei você
na esquina
desfraldei bandeiras
e me tomaste louco
agora é 37
vou voltar ao ponto
em que jamais
botei os pés

não sei o que será
logo saberemos
se sobrar espaço

a depender da escolha
que tomarão essa centena de milhão

a história de meus netos
não será a filha da tradição
mas de escolhas torpes
míopes de estilo







quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Em tempos de Bolsonaro e fake news: Como votar de maneira consciente?

Fui provocado por um conjunto de alunos a palestrar sobre conscientização eleitoral no cenário político jurídico de 2018. A partir daí me perguntei, o que seria necessário para o exercício consciente do voto nestas eleições?

Roda de conversa sobre voto consciente na Unisociesc Joinville organizado pelo Centro Acadêmico de Direito com prof. Moisés e profa. Mara Jeanny. Agradeço a presidente do CAD Débora pelo convite.

Com isto em mente elaborei uma receita básica em cinco passos:

1) Em primeiro lugar o eleitor precisa entender, de fato, o que significa a democracia representativa e qual o caráter efetivo do mandato: ele não é, e nunca foi um espelho da sociedade. Mas do partido ao qual o eleito se vinculou. Logo, a primeira, e talvez dura lição: partidos importam!

2) Em segundo lugar é preciso entender qual a dinâmica do voto. Qual o peso de cada voto no resultado eleitoral? Como se definem vencedores, perdedores e suplentes? Aqui é necessário lidar com alguns mitos como aquele que sustenta que um determinado percentual de votos nulos/em branco seria suficiente para anular o processo eleitoral. Mito. Mas o voto nulo ou em branco tem outros efeitos interessantes. O principal deles reduzir o quociente eleitoral, ou o número de votos necessários para que um partido eleja um parlamentar.

3) Como exercer o voto de maneira racional? Quais são os mecanismos atuais a disposição do eleitor para que exerça o voto informado? As reformas eleitorais recentes investiram em transparência. Assim o eleitor com ajuda da internet tem mais informações a sua disposição. No sitio do TSE chamado divulgacand o eleitor tem acesso a todas as receitas acessadas pelos candidatos até as ultimas 72 horas. Além disso o sitio informa quem é novato e quem está tentando a reeleição.

4) Visto isso cabe procurar entender, e separar, as narrativas sobre o estado atual do debate politico no Brasil. A primeira narrativa sustenta que as eleições sem a candidatura de Lula frustam as expectativas democráticas. A segunda sustenta que não, e que sua prisão e ineligibilidade fazem parte do jogo. O que há de erros e acertos em cada narrativa do ponto de vista jurídico e os efeitos sobre o processo eleitoral, ja que a narrativa vencedora, em ultima análise deve ser aquela que logrará o exito eleitoral segundo indicam últimas pesquisas.

5) Por fim, o eleitor pode buscar se informar sobre as ultimas alterações legislativas, exercendo uma fiscalização sobre o processo eleitoral e atuando para garantir a lisura do processo político que escolherá os futuros governantes e legisladores em 2018.